Os fundos imobiliários de grande porte aumentaram sua participação no mercado brasileiro: atualmente são 45 veículos com patrimônio superior a R$ 2 bilhões, número que representa alta de 55% em relação ao ano anterior e que, desde 2024, elevou o grupo em 80%.

Dois fundos já ultrapassaram a marca dos R$ 10 bilhões. O Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) é o maior, com patrimônio de R$ 11 bilhões, enquanto o Patria Log (HGLG11), após incorporar outros fundos da gestora, alcançou cerca de R$ 10,2 bilhões.

Entre as empresas ligadas ao segmento imobiliário listadas na B3, apenas a Multiplan e a Allos têm valor de mercado maior que esses fundos, com cerca de R$ 14 bilhões cada; porém, os FIIs administrados por Kinea e Patria podem vir a ultrapassá‑las nos próximos anos.

Benefícios para o investidor pessoa física

Fundos com patrimônio elevado — especialmente aqueles acima de R$ 5 bilhões — trazem vantagens relevantes para investidores de varejo. A diversificação é apontada como principal benefício: veículos muito grandes costumam concentrar dezenas de imóveis, centenas de contratos de locação ou carteiras amplas de recebíveis imobiliários, o que reduz o impacto de problemas em um único inquilino, imóvel ou CRI sobre os resultados.

A liquidez é outro atributo importante. Grandes FIIs, como o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), Patria Log (HGLG11), CSHG Real Estate (HGRE11), BTG Pactual Logística (BTLG11) e Kinea Índices de Preços (KNIP11), frequentemente movimentam dezenas de milhões de reais por dia, permitindo comprar e vender cotas com menor impacto sobre os preços em períodos de estresse de mercado.

Limitações decorrentes do tamanho

O próprio porte pode se tornar obstáculo. Um fundo de R$ 10 bilhões precisa encontrar operações de grande escala para que novas aquisições influenciem de forma relevante seus resultados: um imóvel de R$ 100 milhões representa apenas 1% do patrimônio desse fundo, enquanto seria transformador para um veículo de R$ 500 milhões.

No caso dos FIIs de papel, que investem em CRIs, fundos bilionários demandam volume expressivo de operações de crédito para manter o patrimônio alocado. Em períodos de escassez de oportunidades com bom risco-retorno, gestores podem ter dificuldades para originar ou comprar ativos adequados.

FIIs multibilionários ganham espaço e trazem vantagens e limites para investidores

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Perfis e estratégias

Especialistas estabelecem analogia com o mercado de ações: existem FIIs “large caps” mais estáveis e de menor volatilidade e FIIs “small caps” com maior potencial de valorização em cenários favoráveis, como juros mais baixos e crescimento do PIB. Fundos médios — com patrimônio entre R$ 500 milhões e R$ 2 bilhões — podem oferecer maior potencial de ganho de capital, embora com risco e liquidez distintos.

Para o investidor pessoa física que busca renda passiva previsível e alta liquidez, fundos gigantes tendem a ser mais adequados. Já quem procura valorização acima da média pode optar por fundos de porte médio, aceitando volatilidade e horizonte de investimento mais longo. Uma carteira diversificada de FIIs permite combinar características de ambos os perfis.

O movimento de consolidação e crescimento dos FIIs altera o perfil do mercado e implica escolhas diferentes para investidores conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Com informações de Investnews