Letalidade policial cresce e alcança maior número da série histórica
O Brasil registrou em 2025 o maior número absoluto de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) desde o início da série histórica em 2016, segundo dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (23). As MDIP subiram 5,4% no ano, totalizando 6.602 civis mortos.
Em 2025, as mortes por intervenção policial representaram 16,2% de todas as Mortes Violentas Intencionais (MVIs) no país — a maior participação desde que o conceito de MVI passou a ser utilizado, em 2014. Na prática, segundo o Anuário, isso equivale a aproximadamente uma em cada seis mortes violentas no Brasil. A média diária foi de 18 óbitos por intervenção policial ao longo do ano.
Entre 2016 e 2025, o aumento acumulado nas mortes em ações das polícias civil e militar foi de 55,7%. O relatório aponta que parte do crescimento em 2025 foi impulsionada pela Operação Contenção, realizada em outubro no complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em 122 pessoas mortas, entre elas cinco policiais. Pesquisadores citados pelo Anuário consideram essa operação a mais letal já registrada no país, superando o episódio conhecido como “Massacre do Carandiru”.
Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontou que o aumento da letalidade policial no Rio de Janeiro está ligado, em grande medida, à dinâmica da operação Contenção e ao debate eleitoral. A diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno, afirmou que há um discurso eleitoral que associa eficiência policial à letalidade, com candidatos dizendo que “uma polícia eficiente é uma polícia que mata”, o que contribui para a normalização do uso letal da força.
Distribuição regional e variações estaduais
Pelo sétimo ano seguido, o Amapá apresentou a maior taxa de mortes pelas polícias do país, com 17,1 óbitos por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Bahia (10,6 por 100 mil), que registrou 1.570 pessoas mortas em 2025 — quase um quarto do total nacional —, Sergipe (8,4) e Pará (7,3). O Anuário observa que esses quatro Estados também tiveram as maiores taxas em 2024, sinalizando uma normalização da letalidade policial nessas localidades.
Nos extremos inferiores estão Roraima (0,4), Distrito Federal (0,5), Rio Grande do Sul (0,7), Piauí (0,9) e Amazonas (0,9), todos com queda nas taxas de MDIP entre 2024 e 2025.
Suicídios entre policiais
O Anuário mostrou que o suicídio consolidou-se como o principal vetor de mortalidade entre policiais civis e militares. Em 2025, o total de policiais vítimas de mortes violentas intencionais caiu de 144 para 139, com a taxa passando de 0,28 para 0,27 por mil policiais (redução de 3,5%). Os registros de suicídio entre policiais diminuíram de 126 para 110, reduzindo a taxa de 0,25 para 0,22 por mil (queda de 12,7%).
Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
Dos casos de 2025, foram contabilizados 110 suicídios entre policiais, 59 mortes de agentes fora de serviço e 29 mortes em serviço. No ano anterior, os números eram 126 suicídios, 84 mortes fora de serviço e 32 em serviço.
Samira Bueno ressaltou que a tendência de crescimento do suicídio entre policiais já havia sido observada desde 2023 e apontou dificuldades institucionais para lidar com o tema. Ela citou a existência de legislações estaduais que limitam o recebimento de seguro ou aposentadoria em caso de suicídio, o que pode levar a tentativas de ocultação por parte de colegas para proteger financeiramente familiares. A diretora-executiva do FBSP também mencionou o tabu em torno do assunto e o aumento de afastamentos por problemas de saúde mental, dependência e violência doméstica, além da erosão das condições de trabalho que deixa os profissionais em situação de vulnerabilidade.
A divulgação do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública traz, segundo seus autores, sinais de agravamento da letalidade policial em um cenário de queda das mortes violentas intencionais no país como um todo, e evidencia problemas recorrentes nas políticas de segurança e no acompanhamento da saúde dos profissionais de segurança.
Com informações de Valor.globo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6