Na quarta-feira, 10 de junho, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que lançou mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein. O governo iraniano apresentou a ação como retaliação aos bombardeios dos Estados Unidos contra alvos iranianos ao redor do Estreito de Ormuz.

Cenários

Os ataques do Irã ocorreram depois que o ex-presidente Donald Trump afirmou à ABC News que Teerã teria abatido um helicóptero Apache americano próximo ao Estreito de Ormuz. “Acredito que a resposta [à queda do helicóptero] deverá ser muito forte, muito poderosa”, disse Trump em entrevista na terça-feira (9).

Em reação à suposta derrubada, militares dos EUA afirmaram ter atingido defesas aéreas iranianas, estações de controle terrestre e radares de vigilância, descrevendo a ação como uma “resposta proporcional”. As Forças Armadas estadunidenses informaram que os dois tripulantes do helicóptero foram resgatados.

O Irã informou que atacou com drones alvos navais americanos no Bahrein e disparou mísseis contra instalações americanas na Jordânia. As forças jordanianas relataram a intercepção de cinco mísseis lançados do Irã em direção a uma área que inclui a base aérea Muwaffaq Salti, utilizada por operações aéreas dos EUA e já alvo de incursões nos primeiros dias do conflito.

O Bahrein afirmou ter abatido múltiplos drones e mísseis iranianos, enquanto o Exército do Kuwait declarou que suas defesas aéreas interceptaram “alvos hostis”, sem fornecer mais detalhes. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que Teerã reavaliará seu engajamento diplomático com Washington diante de “repetidas violações do cessar-fogo”.

A escalada, que ocorreu dois dias após o Irã trocar fogo com Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo, voltou a gerar incertezas sobre a viabilidade de um acordo para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.

Apesar do conflito, a reação do mercado de petróleo foi contida. Os contratos futuros de agosto do Brent, referência internacional, permaneceram praticamente estáveis em US$ 91,47 por barril, enquanto o WTI, referência americana, subiu 0,1%, a US$ 88,31 por barril, reduzindo ganhos que superaram 1% no começo da sessão.

Perspectivas

Além do risco de deterioração no Oriente Médio, investidores mantêm atenção na divulgação, nesta quarta-feira, do índice de preços ao consumidor (CPI) de maio nos Estados Unidos. A mediana das expectativas aponta aceleração para 4,2% em 12 meses, ante 3,8% no período até abril. Para o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, a projeção é de 2,9% em 12 meses, ante 2,8% anteriormente.

Os números do CPI de maio serão relevantes para calibrar as expectativas diante da reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), marcada para os dias 16 e 17 de junho.

Indicadores

BRASIL

Sem indicadores relevantes

ESTADOS UNIDOS

Inflação ao consumidor / CPI (Mai)

Esperado: 0,5%

Irã realiza ataques contra bases americanas no Golfo Pérsico; investidores aguardam dados de inflação nos EUA

Imagem: REUTERS/Hamad I Mohammed

Anterior: 0,6%

Inflação ao consumidor / CPI (12M)

Esperado: 4,2%

Anterior: 3,8%

Núcleo da inflação ao consumidor / CPI (Mai)

Esperado: 0,3%

Anterior: 0,4%

Núcleo da inflação ao consumidor / CPI (12M)

Esperado: 2,9%

Anterior: 2,8%

Com informações de Forbes