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Exatos 150 anos após a realização do primeiro jogo de futebol organizado no Canadá, entre Carlton Cricket Club e Toronto Lacrosse Club em 1876, a seleção canadense se prepara para estrear em uma Copa do Mundo disputada em seu próprio território. A partida de abertura dos anfitriões será contra a Bósnia e Herzegovina, em 12 de junho, no estádio de Toronto.

O confronto inicial representa o ápice de um processo de expansão do futebol em um país tradicionalmente dominado pelo hóquei no gelo. Hoje o futebol é o esporte com maior número de praticantes no Canadá, com quase um milhão de jogadores registrados, e a expectativa é que a realização do Mundial em 2026 acelere ainda mais esse crescimento.

O país receberá 13 partidas do torneio, sendo seis em Toronto e sete em Vancouver. A seleção canadense está no Grupo B, ao lado da Bósnia e Herzegovina, do Catar e da Suíça.

Em suas duas participações anteriores em Copas do Mundo — México 1986 e Catar 2022 — o Canadá somou seis derrotas em seis jogos. Apesar desse retrospecto, o técnico Jesse Marsch tem postura ambiciosa e afirma que a equipe não pretende atuar apenas como anfitriã simbólica do torneio.

“Queremos vencer a Copa do Mundo”, disse Marsch em entrevista no ano passado. O treinador reforçou que a seleção não vai encarar a competição apenas como uma oportunidade de testar forças: “Pode soar ridículo, mas por que entraríamos em qualquer torneio, a qualquer momento, pensando: ‘É, vamos ver como nos saímos. Talvez consigamos uma vitória ou talvez marcar um gol?’”.

Confiança

O otimismo da comissão técnica apoia-se em uma geração apontada por muitos como a melhor da história do país, liderada pelo lateral-esquerdo Alphonso Davies, do Bayern de Munique, e pelo atacante Jonathan David, da Juventus. Marsch afirmou que o nível do time tem subido e reconheceu a dificuldade do grupo, admitindo a possibilidade de eliminação na fase inicial, mas destacando a crença na equipe.

O avanço do Canadá também se reflete na elevação do ranking da Fifa: de 116º lugar em 2015 para 26º em 2025. A equipe já havia dado sinais de evolução nas eliminatórias para a Copa de 2022, quando se classificou à frente de México e Estados Unidos. No Mundial do Catar, porém, foi eliminada na fase de grupos após derrotas para Bélgica, Croácia e Marrocos.

Canadá mira alto como país-sede da Copa do Mundo de 2026 com sua melhor geração

Imagem: Foto por CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Em 2024 o Canadá surpreendeu ao alcançar as semifinais da Copa América, sendo eliminado pela Argentina, então campeã mundial. Grande parte do elenco atual espelha a diversidade imigratória do país: Jonathan David é filho de pais haitianos e nasceu em Nova York antes de se mudar para o Canadá; Alphonso Davies nasceu em um campo de refugiados em Gana, filho de pais liberianos, e chegou ao país aos cinco anos; Ismael Koné, meio-campista do Sassuolo, nasceu na Costa do Marfim.

“Obviamente, existem laços com diferentes origens culturais, mas o amor que eles sentem por serem canadenses e por jogar pela seleção nacional do Canadá é verdadeiramente forte”, declarou Marsch.

Autoridades do futebol canadense esperam que uma campanha longa e positiva no torneio gere maior demanda por futebol no futuro. “Uma campanha empolgante e de longa duração no torneio gerará demanda de público pelo futebol no futuro, em todas as suas formas”, afirmou Kevin Blue, CEO e secretário-geral da Canada Soccer.

Com informações de Gazetaesportiva