O clássico brasileiro “Saneamento Básico, O Filme” (2007), dirigido por Jorge Furtado e estrelado por Wagner Moura e Fernanda Torres, voltou a chamar atenção do público ao ser disponibilizado em diversas plataformas de streaming. A comédia cult está presente na HBO Max, Netflix, MUBI e Globoplay. No Amazon Prime Video, o título exige assinatura adicional do Telecine.

Produção e tecnologia

Filmado majoritariamente em película 16 mm, com trechos em 35 mm, o longa destaca a fase de transição do analógico para o digital no cinema brasileiro. O “filme dentro do filme” – intitulado “O Monstro do Fosso” – foi gravado em câmera de vídeo amadora, recurso que diferencia a estética da história fictícia do restante da narrativa. Essa escolha também registra práticas caseiras de imagem, populares no início dos anos 2000.

Efeitos práticos e temática ecológica

Em contraste com o uso atual de CGI e outras técnicas digitais, “Saneamento Básico” recorreu a materiais recicláveis, lixo e folhas para criar o monstro central da trama. A abordagem de efeitos práticos reforça o debate ambiental que permeia a obra, ao mesmo tempo em que presta homenagem às produções de baixo orçamento e ao “faça você mesmo”.

Trilha sonora e direitos autorais

A inclusão da música “It Had to Be You”, na interpretação de Billie Holiday, envolveu despesas significativas de licenciamento. Segundo Jorge Furtado, foram cerca de US$ 3 mil investidos para garantir os direitos da canção, o que evidencia o peso do custo de trilha sonora em produções cinematográficas.

Elenco e concepção dos papéis

Além de Wagner Moura (Joaquim) e Fernanda Torres, o filme conta com nomes como Lázaro Ramos, Camila Pitanga e Bruno Garcia. Conforme revelou o diretor em entrevistas, os personagens foram escritos pensando em cada ator, aproveitando características pessoais para construir a metalinguagem que permeia a história.

Imagem: Divulgação

Inspiração em fatos reais

A ideia central do roteiro surgiu ao unir a tradição cômica da Commedia dell’Arte com um edital real de incentivo à produção audiovisual em municípios com até 20 mil habitantes. A narrativa questiona a destinação de recursos públicos para a cultura em locais que nem ao menos têm infraestrutura básica, sugerindo, de forma satírica, que a verba artística seja usada para resolver problemas de saneamento.





Agora que “Saneamento Básico, O Filme” está ao alcance do público em várias plataformas, fica a oportunidade de redescobrir este marco do cinema nacional.

Com informações de Olhardigital