O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se nesta quarta-feira, 17 de junho, para anunciar a decisão sobre a taxa básica de juros, atualmente em 14,50% ao ano. A expectativa predominante no mercado apontava para um corte de 0,25 ponto percentual, mas sinais recentes aumentaram a probabilidade de manutenção da taxa.

Nos últimos dias, o resultado do IPCA de maio, que ficou em 4,72% em 12 meses — acima do teto da meta de inflação — levou analistas a revisar projeções sobre a condução da política monetária. O centro da meta de inflação é 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos; essa foi a primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%) que a inflação acumulada em 12 meses voltou a superar o limite superior de 4,5%.

Posicionamentos de mercado

A Warren Investimentos avaliou que o Banco Central deve optar por manter a Selic em 14,50% na reunião desta semana, adotando um tom neutro na comunicação. A gestora aponta que novas reduções na taxa só voltariam a ganhar espaço possivelmente na última reunião do ano, cenário no qual a Selic encerraria 2026 em 14,25%.

Para o Itaú, a projeção segue sendo um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,25% ao ano. O banco, contudo, destaca mudança na curva de juros local e reconhece maior probabilidade de que o Comitê opte por manter a taxa na próxima reunião. O Itaú espera que o Copom mantenha suas opções abertas, sinalizando maior incerteza sobre espaço adicional para calibragens.

Menos cortes previstos até o fim do ano

A deterioração nas projeções de inflação tem reduzido o número de cortes que o mercado antecipa para o restante do ano. No boletim Focus mais recente, a mediana das expectativas passou a projetar a Selic em 13,75% ao final de 2026, ante 13,50% anteriormente. Há também instituições que consideram a possibilidade da taxa encerrar 2026 em 14,25%.

Copom decide nesta quarta-feira se haverá novo corte de 0,25 ponto na Selic ou manutenção em 14,50%

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Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, destaca que, desde a última reunião do Copom, a previsão do IPCA para 2026 subiu de 4,86% para 5,11%; para 2027 passou de 4,00% para 4,03%; e para 2028 de 3,61% para 3,65%. Segundo ele, essas revisões indicam projeções de inflação acima da meta no horizonte relevante e podem exigir mudança na comunicação do Banco Central. O C6 projeta, por ora, a Selic em 13,5% ao final de 2026, mas ressalta que os próximos passos da política monetária dependerão em grande parte da evolução do conflito no Irã.

O Copom reúne-se a cada 45 dias para definir a taxa Selic; a decisão desta quarta-feira será divulgada pelo Banco Central ao término da reunião.

Com informações de Borainvestir.b3