Jess Ekstrom, fundadora da Mic Drop Workshop e autora do livro Making It Without Losing It, afirma que a criatividade costuma ser adiada até a chegada de um marco — comportamento que ela e pesquisadores associam à neurociência da motivação. Em conversa recente, Ekstrom destacou três pontos que líderes devem considerar para estimular criatividade e propósito dentro das equipes.

1. A lacuna entre onde se está e onde se quer chegar pode ser uma fonte de criatividade

Ekstrom observa que profissionais ambiciosos frequentemente vivem com uma diferença entre sua situação atual e suas metas. Essa “lacuna” é, por si só, neutra; o efeito depende de como é interpretada. Pode ser vista como uma prova de fracasso ou, alternativamente, como um campo de possibilidades — espaço para experimentos, perguntas e cenários de sucesso ainda não explorados. Segundo Ekstrom, líderes eficazes ajudam suas equipes a ressignificar essa distância, transformando-a em combustível criativo em vez de evidência de derrota.

2. A dopamina aparece na expectativa e no processo, não na linha de chegada

Dados citados por Ekstrom indicam que a descarga de dopamina associada à recompensa ocorre durante a antecipação e o desenvolvimento de um projeto, e não apenas no momento do alcance de um objetivo. Ela refere-se a um estudo da Universidade Vanderbilt que aponta essa relação entre incerteza da recompensa e níveis de dopamina. A recomendação é tornar o próprio processo gratificante — apaixonar-se pelo problema — e estruturar o trabalho de modo que o esforço diário seja valioso por si só. Dessa forma, equipes mantêm motivação e reduzem risco de esgotamento ligado à falta de sentido.

3. Examine sua “digital do sucesso” e pergunte se ela é realmente sua

Ekstrom usa o termo “digital do sucesso” para descrever crenças internalizadas sobre o que constitui sucesso — ideias herdadas da família, das redes sociais ou de ambientes escolares e profissionais. Ela sugere investigar a origem dessas crenças e avaliar se ainda fazem sentido ou pertencem ao indivíduo. A autora também propõe o que chama de “inventário de coragem”: um registro de pequenas ações autônomas que, acumuladas, criam disposição para mudanças maiores. Como ilustração do impacto de significado no trabalho, Ekstrom cita estudo da Penn Wharton School que mostrou aumento de desempenho em um call center quando funcionários conheceram os estudantes beneficiados pelo serviço que realizavam.

Seu cérebro recompensa a expectativa, não apenas o sucesso alcançado

Imagem: Divulgação

Para Ekstrom, a principal lição é que a criatividade não está guardada para um momento futuro de celebração; ela nasce quando líderes ajudam equipes a encontrar propósito, a trabalhar na incerteza e a definir sucesso em termos próprios. Não existe um “pronto”; existe a pergunta sobre o que é possível a partir do presente.

Com informações de Fastcompanybrasil