No início de junho, durante o painel “Do back office ao marketplace: capacitando PMEs para prosperar na economia digital brasileira” no Web Summit Rio 2026, especialistas e empreendedores debatíram se as pequenas e médias empresas já podem ser consideradas digitais. A conclusão do encontro foi incisiva: muitas PMEs acreditam estar digitalizadas, mas a digitalização real costuma ocorrer por necessidade operacional, não por entusiasmo com inovação.

Empreendedores frequentemente apontam presença em marketplaces, aceitação de Pix e postagens em redes sociais como sinais de digitalização. No entanto, a avaliação do mercado mostra que esses são apenas primeiros passos. Hoje é raro encontrar uma PME sem sistemas para emitir nota fiscal eletrônica, receber pagamentos digitais ou registrar pedidos, mas a simples adoção de ferramentas não equivale a integração entre vendas, operações e finanças.

O painel ressaltou que o canal de vendas é apenas a ponta do iceberg. O acesso a marketplaces e plataformas virtuais ampliou mercados e clientes, transformando o canal de vendas numa agenda de crescimento. Porém, cada novo canal adiciona complexidade: estoques precisam sincronizar com plataformas diversas; pedidos requerem conciliação; recebimentos exigem acompanhamento; logística deve operar sem atritos; e as informações precisam fluir entre setores.

Historicamente, a digitalização avançou sempre que a operação deixou de funcionar sem tecnologia — foi assim com a nota fiscal eletrônica, com os pagamentos digitais e com o comércio eletrônico. Assim, a tecnologia costuma entrar pela necessidade e permanecer por sua contribuição à competitividade. Crescer vendendo mais depende também de organizar os bastidores: não basta conquistar novos marketplaces se estoque, pedidos, recebimentos e finanças continuam fragmentados.

O desequilíbrio entre frente de vendas e operação aparece em exemplos concretos: PME que vende em cinco marketplaces mas controla estoque em planilhas cresce sobre base frágil; quem aumenta o faturamento sem estruturar fluxo de caixa perde a visibilidade real do lucro. Ferramentas de canal sem tecnologia operacional integrada criam uma falsa sensação de digitalização que se rompe sob pressão.

Durante o debate, vários empreendedores relataram frustrações com softwares de gestão. O problema não é falta de ferramentas, mas a discrepância entre o que prometem e o que resolvem na prática. Para donos de pequenos negócios, o valor está em reduzir trabalho manual, eliminar retrabalho, economizar tempo e simplificar decisões, mais que na oferta de múltiplas funcionalidades.

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A inteligência artificial surge como relevante quando integrada aos dados e processos reais do negócio. IA que automatiza tarefas administrativas, organiza informações dispersas, reduz etapas operacionais ou apoia decisões dentro do fluxo de gestão demonstra utilidade imediata. Já soluções que adicionam complexidade, exigem treinamento extenso ou atendem problemas que o empreendedor não identifica tendem a ter adoção limitada. Ainda que seja mais comum o uso de IA para anúncios ou atendimento, o impacto maior aparece quando ela passa a influenciar estoque, preço e fluxo de caixa.





A próxima etapa da digitalização das PMEs, segundo participantes, não virá de mais plataformas ou funcionalidades, mas da capacidade de transformar complexidade em simplicidade: tecnologia que se integra e “desaparece” dentro da operação, permitindo acesso a novos mercados, manutenção da qualidade com crescimento e mais tempo para a estratégia em vez da burocracia.

Com informações de Tecmundo