Videogame é arte? A pergunta acompanha o meio desde a década de 1980, quando avanços técnicos e narrativos tornaram os jogos mais visuais e complexos, e instituições passaram a tratá-los como parte da produção cultural. Apesar de reconhecimentos oficiais e mostras dedicadas, a discussão entre defensores e críticos segue ativa, acompanhada por problemas práticos como preservação e modelos de negócios da indústria.
Trajetória de reconhecimento institucional
O debate ganhou mídia ainda em 1983, quando a revista Video Games Player afirmou que videogames “são tanto uma forma de arte quanto qualquer outra área do entretenimento”. Exposições em museus também marcaram a mesma década: o Museum of the Moving Image, em Nova Iorque, promoveu mostras sobre videogames e fliperamas que destacavam seu caráter artístico. Em 2012, o Museu Smithsonian de Arte Americana levou ao público a exposição “The Art of Video Games”.
No campo das políticas públicas, houve movimentações importantes. Em 2006, o Ministério da Cultura da França reconheceu os games como “uma forma de expressão artística” e concedeu a Ordre des Arts et des Lettres a três designers de jogos. Nos Estados Unidos, o NEA (National Endowment for the Arts) passou a aceitar projetos de games como iniciativas artísticas a partir de 2012. No Brasil, o financiamento para videogames como manifestação artística começou em 2004; em 2016 os jogos puderam captar recursos via Lei Rouanet e, desde 2023, estão enquadrados na política de repasses audiovisuais da Lei Paulo Gustavo.
Críticas e posições dentro da indústria
Entre os críticos mais proeminentes, o jornalista e crítico de cinema Roger Ebert afirmou, na década de 2000, que jogos não exploram o significado de ser humano do mesmo modo que outras artes, questionando a presença de regras, objetivos e finais múltiplos. Em declaração na TED Conference, Ebert argumentou que, se um jogo não tem regras ou pontos, deixa de ser jogo e passa a ser representação de uma história, como um romance ou filme.
Vozes dentro da própria indústria e do cenário independente também apontam reservas. Hideo Kojima reconhece elementos artísticos em jogos, mas vê na busca por agradar amplamente do público uma tendência que transforma títulos em serviço mais que em obra artística. Michael Samyn e Auriea Harvey, fundadores do estúdio Tale of Tales, sustentam que jogos atendem primariamente à necessidade de diversão, função distinta da arte, sem, contudo, diminuir seu valor.
Imagem: Entenda o debate sobre videogames e arte – Montagem / Engage XP
Tratamento e preservação
A despeito das reconhecimentos formais, práticas comerciais e tecnológicas levantam dúvidas sobre se os jogos são efetivamente tratados como arte. A preservação enfrenta obstáculos impostos pela indústria, incluindo o fim de mídias digitais e relançamentos frequentes que muitos veem mais como estratégia de renda do que como cuidado com a memória dos títulos. Além disso, a adoção repetida de fórmulas consagradas e a falta de inovação são apontadas como posturas distantes dos impulsos transgressores típicos de manifestações artísticas.
Esses elementos mantêm em aberto não apenas a questão se videogame é arte, mas se ele é tratado como tal na prática.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6