O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que o El Niño deve se intensificar até o final deste ano, com 97% de probabilidade de permanecer até o início da primavera de 2027 no hemisfério norte.

O serviço de previsão dos EUA também apontou uma probabilidade de 81% de ocorrência de um El Niño “muito forte” no período de outubro a dezembro. Caso se confirme, esse episódio estaria entre os maiores eventos do fenômeno registrados desde 1950.

O El Niño ocorre naturalmente quando ventos alísios mais fracos provocam o acúmulo de águas mais quentes na porção central e oriental do Pacífico equatorial. Esse aquecimento costuma elevar as temperaturas globais e alterar padrões meteorológicos, resultando em secas em determinadas áreas e chuvas intensas em outras.

Donald Keeney, meteorologista agrícola da Vaisala Weather, afirmou que episódios de El Niño tendem a trazer condições mais frias e úmidas ao Meio-Oeste dos Estados Unidos nos meses finais do verão. Segundo ele, esse padrão pode ser benéfico para o milho e a soja durante fases reprodutivas sensíveis à umidade, elevando a chance de aumento de rendimento e produção dessas culturas.

A agência estatal de notícias Xinhua, citando previsões do Centro Nacional de Clima, indicou que um El Niño do tipo Pacífico Oriental, com intensidade de forte a superforte, deve se formar neste verão e outono. Essa evolução aumenta o risco de eventos climáticos extremos na China ainda este ano e no próximo, como inundações e ondas de calor.

O enfraquecimento da monção indiana é outro efeito associado ao El Niño. Keeney ressaltou que episódios do fenômeno costumam provocar temporadas de monções mais fracas na Índia; atualmente, as chuvas de monção estão 40% abaixo da média de longo prazo, o que provavelmente trará impactos negativos às lavouras de verão no país.

El Niño deve se intensificar até o fim do ano e preocupa safras globais

Imagem: REUTERS/Fred Greaves

Dois altos funcionários do serviço meteorológico indiano informaram que a monção deverá registrar precipitação abaixo da média nas regiões oeste e sul nas próximas duas semanas, situação que pode atrasar o plantio de algodão, soja e milho.

Na última semana, a agência meteorológica da ONU revisou para cima sua previsão sobre o rápido desenvolvimento de um El Niño forte nos meses seguintes e advertiu que o fenômeno provavelmente elevará as temperaturas globais.

As autoridades climáticas seguem monitorando a evolução do sistema e seus possíveis efeitos sobre safras e padrões meteorológicos em diferentes regiões do planeta.

Com informações de Forbes