Nathália Brandão transformou dúvidas e aprendizados da própria trajetória no universo corporativo em um guia voltado a profissionais em início de carreira. Formada em Direito, ela começou como trainee global na Ambev após ser recrutada em um processo seletivo, experiência que inspirou o livro Cartas a uma Jovem Executiva.
A origem do livro
Segundo Nathália, a obra surgiu de anotações pessoais feitas em um período em que se sentia desorientada na vida profissional. Ao tentar entender como funcionavam as dinâmicas do ambiente executivo, ela registrou reflexões, dúvidas e lições que mais tarde deram base à pesquisa que resultou no livro.
Decodificar regras não ditas
Um episódio decisivo, relatado pela autora, ocorreu quando um mentor afirmou que ela precisava aprender a interpretar o que não era explicitamente comunicado no ambiente corporativo. A constatação de que muitas regras do mercado de trabalho são tácitas a levou a investigar essas normas e torná-las compreensíveis para quem está começando.
Reinterpretando o termo “executiva”
Nathália questiona quem tem acesso à imagem tradicional de executivo e propõe uma leitura diferente do termo. Em vez de associá-lo exclusivamente a cargos hierárquicos, ela define “executiva” como quem executa: converte ideias em ações e assume responsabilidade pela própria trajetória. A proposta é descolar a palavra de um lugar de privilégio e torná-la aplicável a qualquer pessoa que faça escolhas conscientes sobre a carreira.
Desigualdades no tabuleiro
No livro, a autora usa a metáfora do xadrez para explicar que nem todos iniciam a carreira com as mesmas condições. Ela aponta que, apesar de a meritocracia ser invocada por muitas organizações, fatores sociais, econômicos e culturais alteram as oportunidades disponíveis. Para ilustrar, cita programas de trainee: embora pareçam ambientes de competição igualitária, participantes chegam em situações distintas — alguns com redes de apoio e estabilidade financeira, outros enfrentando longos deslocamentos, responsabilidades familiares e limitações econômicas.
Dados da pesquisa realizada pela InfoJobs com 1.022 profissionais para o estudo Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026 apontam que 49% das mulheres percebem uma barreira na transição de funções técnicas para cargos de gestão, enquanto 20% relatam dificuldades apenas ao tentar acessar posições executivas ou de diretoria.
Imagem: Divulgação
Autoralidade e os cinco capitais
Outro tema recorrente no livro é a busca por autenticidade dentro das culturas organizacionais. Nathália propõe o conceito de “autoralidade”: preservar a identidade e as referências pessoais ao atuar em contextos que têm códigos próprios.
Ela organiza sua visão sobre crescimento profissional em cinco capitais: técnico (base de credibilidade), cultural (entendimento dos códigos da organização), reputacional (percepção sobre o trabalho), relacional (qualidade das conexões) e financeiro (capacidade de fazer escolhas mais livres). A autora defende que competência técnica é necessária, mas não suficiente para a progressão de carreira.
Ao tornar visíveis regras que antes circulavam nos bastidores, o livro busca compartilhar conhecimentos antes restritos a quem teve acesso a certos ambientes e conversas, oferecendo orientação prática para profissionais no começo da trajetória.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6