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O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, a elevação do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida terá vigência inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.

A decisão foi motivada por preocupações com o mercado internacional de combustíveis, em especial pela instabilidade no fornecimento de petróleo gerada pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O governo justificou a alteração como forma de ampliar o uso de um insumo produzido no país e reduzir a dependência de derivados importados.

Quem e o que muda

O aumento da mistura, que passa de E30 para E32, altera a composição da gasolina vendida no Brasil. Autoridades e o setor de biocombustíveis sustentam que a mudança é viável tecnicamente, ao passo que representantes da indústria automotiva pedem avaliações técnicas complementares antes da adoção definitiva.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) declarou ser favorável ao uso de biocombustíveis, mas defende que sejam realizados testes mais amplos para verificar a compatibilidade dos sistemas dos veículos com o novo percentual. Igor Calvet, presidente da Anfavea, disse ao G1 que a principal preocupação é garantir, por meio de ensaios, o funcionamento correto dos motores e dos componentes relacionados ao combustível.

Riscos para veículos antigos e componentes

Engenheiros alertam que a nova mistura pode afetar especialmente carros mais antigos ou modelos que não têm calibração específica para maior proporção de etanol. Entre os problemas apontados estão desgaste de peças, corrosão e aumento do consumo.

O etanol anidro, apesar de ser desidratado, pode absorver umidade do ambiente, o que favorece processos corrosivos em peças metálicas quando há incompatibilidade de materiais. Componentes citados como mais vulneráveis incluem tanque, bomba de combustível, boia, linhas de combustível, bicos injetores, vedações, pistões e partes da câmara de combustão.

Os possíveis efeitos práticos variam conforme o tipo de motor e a idade do veículo, mas podem envolver falhas no sistema de injeção, aumento de emissões, maior consumo e até perda de componentes. Além disso, mudanças na composição tendem a elevar a atenção sobre itens de manutenção como mangueiras, vedações, sensores e conexões elétricas, que podem demandar substituição em alguns casos.

Impacto no consumo e na oferta

O etanol tem menor poder calorífico que a gasolina, razão pela qual o consumo pode aumentar para produzir a mesma energia. O efeito, contudo, depende de variáveis como manutenção, condições de uso e tecnologia do veículo, e é de difícil aferição precisa em uso cotidiano frente a testes controlados.

CNPE aprova aumento de etanol na gasolina para 32% por 180 dias; veículos antigos podem ser mais afetados

Imagem: Shutterstock

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) sustenta que a mudança é tecnicamente possível. A entidade cita estudos do programa Combustível do Futuro, com testes do Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, sem indicar prejuízos relevantes, inclusive em modelos não flex.

A Unica acrescenta que o setor tem capacidade para suprir a demanda adicional: o aumento de E30 para E32 exigirá cerca de 1 bilhão de litros extras de etanol por ano, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer aproximadamente 4 bilhões de litros com a expansão do etanol de milho e da cana-de-açúcar.

O tema ganhou relevância também pela preocupação com a rota marítima do Estreito de Ormuz, que vinha transportando parte significativa do petróleo e do gás natural liquefeito antes do agravamento das tensões no Oriente Médio e passa a ser um ponto de atenção do mercado internacional.

A indústria automobilística, por seu lado, e entidades do setor de componentes, como o Sindipeças, pedem análises adicionais para mitigar riscos e garantir segurança aos consumidores.

As autoridades definiram a vigência inicial de 180 dias para a mudança, com possibilidade de renovação por igual período.

Com informações de Olhardigital