O avanço na profissionalização e na consolidação dos fundos imobiliários (FIIs) no Brasil tende a ampliar a participação de investidores institucionais e de capital estrangeiro, afirma Rodrigo Abbud, sócio e Head de Real Estate do Pátria Investimentos, em entrevista ao Clube FII.

Abbud relaciona esse movimento ao aumento da liquidez, à formação de fundos de maior porte e à uniformização de estratégias entre veículos do setor. Segundo ele, fundos mais robustos e com carteira diversificada reduzem a exposição a eventos pontuais — como a saída de um inquilino relevante — e favorecem estabilidade na geração de renda e no comportamento das cotas.

O executivo também ressalta que a presença de investidores institucionais, como fundos de pensão, fundações, family offices, gestores multimercados e players internacionais, tende a crescer conforme a indústria amadurece. Esses investidores, por operar com aportes maiores, elevam a liquidez do mercado, o que, por sua vez, atrai novos participantes.

Além da gestão de risco por diversificação, fundos de maior escala passam a ter acesso a estratégias consideradas mais sofisticadas, de acordo com Abbud. Entre elas, ele cita projetos de desenvolvimento imobiliário e práticas de gestão ativa de portfólio, com compra e venda de ativos visando ganho de capital no médio e longo prazo — iniciativas que podem ampliar a criação de valor para os cotistas.

Consolidação na plataforma do Pátria

Abbud detalhou que a consolidação da plataforma imobiliária do Pátria envolveu a integração de diferentes gestoras, equipes e culturas resultantes de aquisições realizadas nos últimos anos. Hoje, o processo está voltado à reorganização dos fundos, reunindo veículos com estratégias semelhantes para obter ganhos de escala e benefícios para os investidores.

O executivo enfatizou que essas operações exigem planejamento e aprovação dos cotistas, além de justificativa técnica. Entre os critérios considerados antes da fusão de fundos estão a redução da vacância, o controle da alavancagem, a reciclagem do portfólio e o alinhamento estratégico dos ativos.

FIIs mais profissionais devem atrair investidores institucionais e estrangeiros, diz executivo do Pátria

Imagem: Adobe Stock

Abbud destacou também as exigências legais e procedimentais para unir fundos: é preciso levar a proposta a assembleia e obter aprovação dos investidores. Ele lembrou que um fundo de grande base de cotistas, como o HGLG, que possui 600 mil cotistas, precisa alcançar a marca de aprovação correspondente a 25% do capital — um patamar que demanda propostas muito bem estruturadas e tecnicamente defensáveis.





Para Abbud, o processo de evolução da indústria de FIIs é intenso e tende a se manter, favorecendo maior participação institucional e internacional à medida que o mercado ganha escala e liquidez.

Com informações de Borainvestir.b3