Em evento em Washington com participação de mais de 60 países, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos direcionarão esforços contratorrestres para o que classificou como “terror de extrema esquerda” internacional.

Rubio declarou que a violência de origem de esquerda tem sido negligenciada e pediu uma revisão da estratégia global de contraterrorismo para enfrentar essa ameaça. Segundo o secretário, a militância islâmica foi “severamente reduzida” graças a ações coordenadas entre países, enquanto o crescimento da violência de esquerda representa um “ponto cego”.

“Podemos e devemos identificar e mapear esta ameaça, e reconstruir nossa arquitetura de contraterrorismo para derrotá-la”, afirmou Rubio, ao descrever uma suposta ameaça transnacional composta por grupos hostis ao Ocidente que teriam como alvos políticos e infraestrutura.

A conferência organizada por Rubio em Washington é apontada pelo governo Trump como o principal movimento para internacionalizar essa ênfase contraterrorista. No entanto, a iniciativa provocou preocupação entre líderes democratas, que temem que a administração esteja politizando programas de combate ao terrorismo. Críticos alertam que essa mudança de foco pode levar ao redirecionamento de recursos hoje destinados a monitorar a violência de extrema direita e a militância islâmica.

Especialistas consultados sobre o tema, citados no evento, indicam que não há evidências de base empírica suficientes para sustentar a priorização proposta, o que levanta dúvidas sobre eventuais remanejamentos orçamentários e operacionais nas agências e programas de segurança internacionais.

Imagem: REUTERS/Evan Vucci

O encontro reuniu representantes de mais de 60 países e marca, segundo autoridades americanas, o passo mais relevante do governo Trump no sentido de ampliar globalmente a atenção a esse recorte do contraterrorismo. A proposta de Rubio prevê identificar, mapear e reconfigurar capacidades e parcerias internacionais para enfrentar a ameaça apontada pelo secretário.

A discussão segue sem decisão pública sobre mudanças concretas no financiamento ou na alocação de pessoal entre os diferentes vetores de combate ao extremismo, e deve continuar a ser tema de debate entre aliados e críticos nas próximas semanas.

Com informações de Valor.globo