O Banco Central determinou, na quinta-feira (15 de janeiro), a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos. A medida atinge a gestora de recursos considerada fundamental para elucidar o suposto esquema de fraude no Banco Master, instituição sob controle de Daniel Vorcardo.

As apurações da Polícia Federal envolvem ao menos duas operações: a Compliance Zero, que mira fundos associados ao Banco Master, e a Carbono Oculto, que investiga supostos vínculos econômicos do Primeiro Comando da Capital (PCC), inclusive no segmento de combustíveis. Ambas frentes de investigação detalham a atuação da Reag na estruturação e movimentação de recursos.

João Carlos Mansur, fundador da Reag e nome conhecido em eventos esportivos, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14). Fontes relatam que Mansur encontra-se em território estrangeiro desde então.

O papel da Reag no mercado financeiro

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Reag figura como a oitava maior gestora de ativos do país, administrando cerca de R$ 325 bilhões. A empresa ingressou na Bolsa em janeiro por meio de um IPO reverso ao incorporar a Getninjas, estratégia que permite a companhias não listadas adquirir o controle de uma empresa já negociada em bolsa.

Com o aprofundamento das investigações sobre o PCC e o Banco Master, a Reag passou a despertar interesse de órgãos de fiscalização e do Ministério Público Federal. Segundo o MPF, o Banco Master concedia empréstimos a empresas devedoras, gerando registros contábeis de receita. Em minutos, esses montantes eram transferidos quase que integralmente para fundos sob gestão da Reag, criando uma rentabilidade fictícia.

Esses fundos eram respaldados por ativos de baixo valor de mercado e submetidos a sucessivas reavaliações, o que inflava artificialmente os lucros. Posteriormente, os recursos retornavam ao Master via aquisição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal instrumento de captação do banco.

Imagem: Divulgação/Reag

Investigação e desdobramentos

Na Operação Carbono Oculto, deflagrada em setembro, a Polícia Federal incluiu a Reag entre os alvos para apurar lavagem de dinheiro associada ao PCC. Três dos fundos administrados pela gestora — Hans 95, Reag Growth e Anna FIC — estão sob investigação, em razão de transferências rápidas envolvendo o Banco Master.

Em nota oficial, a Reag negou participação irregular em qualquer transação. A empresa afirmou que “não consta de nenhum documento oficial, de nenhuma denúncia, relatório de análise ou manifestação das autoridades competentes” qualquer indício de envolvimento ilícito.





A notícia segue em apuração pelas autoridades competentes, enquanto investidores e demais stakeholders monitoram os desdobramentos do caso.

Com informações de Revistaoeste