O uso da função de água quente em máquinas de lavar eleva o consumo elétrico, mas o efeito no valor da conta costuma ser menor do que se imagina, sobretudo quando o recurso é acionado apenas em lavagens pontuais. Modelos atuais frequentemente oferecem ciclos com aquecimento interno por resistência elétrica para remover manchas, dissolver gordura e higienizar toalhas, roupas de cama e peças muito sujas.

Onde está o maior consumo?

Em ciclos com água fria, a maior parte da energia é destinada ao movimento do tambor e ao acionamento da bomba. Ao optar por programas com aquecimento, passa a consumir eletricidade também a resistência elétrica, componente que pode ser o de maior gasto na máquina. Seu funcionamento é comparável ao de um chuveiro elétrico: quanto maior a temperatura selecionada e mais longo o tempo de aquecimento, maior será o consumo.

Etiquetas de eficiência do Inmetro ilustram essa diferença. Em alguns modelos do tipo lava e seca da LG, por exemplo, o consumo por ciclo salta de cerca de 0,03 kWh (água fria) para aproximadamente 0,30 kWh a 0,38 kWh quando a função de água quente é usada — um acréscimo de até 10 vezes apenas na energia consumida pela lavagem.

Quanto isso representa na conta?

Tomando como referência uma tarifa residencial de cerca de R$ 1,00 por kWh, os valores podem ser estimados de forma simples. Um ciclo que consome 0,30 kWh gera um custo aproximado de R$ 0,03 com água fria e cerca de R$ 0,30 quando a água é aquecida, ou seja, um acréscimo em torno de R$ 0,27 por lavagem.

Com base nesse acréscimo, o gasto extra mensal seria em torno de R$ 1,10 se a função for usada quatro vezes, R$ 2,20 em oito usos e aproximadamente R$ 5,40 em 20 usos por mês. Mesmo com uso frequente, dificilmente o aquecimento da água será o fator predominante em uma conta de energia elevada.

Imagem: Danilo Berti/Canaltech

Vale a pena usar?

A indicação do recurso depende do tipo de peça: roupas muito engorduradas, toalhas e roupa de cama tendem a se beneficiar de temperaturas mais altas. Já roupas delicadas, coloridas ou de uso cotidiano normalmente são bem limpas com água fria. O uso constante de água quente não só aumenta o consumo como pode acelerar o desgaste de alguns tecidos; por isso, fabricantes como a LG recomendam reservar programas de maior temperatura para situações em que tragam benefício efetivo.





Em resumo, o aquecimento da água é o componente que mais acrescenta consumo durante a lavagem, mas, na prática, o impacto mensal para a maioria das famílias costuma ficar em poucos reais quando a função é usada de forma pontual. Tratar a água quente como uma opção para lavagens específicas permite aproveitar a higienização mais intensa sem transformar a máquina em um grande vilão da conta de luz.

Com informações de Canaltech