No dia 7 de janeiro de 2025, o vocalista Rubén Albarrán anunciou em redes sociais que a banda mexicana Café Tacvba pediu formalmente às gravadoras Universal Music e Warner Music México a retirada de todo o seu catálogo do Spotify. A iniciativa, inédita no cenário latino-americano, tem como motivação principal discordâncias éticas em relação à plataforma.

O pedido da banda — completada por Emmanuel del Real (teclados), Joselo Rangel (guitarra) e Quique Rangel (baixo) — aponta preocupações com investimentos em armamentos, apoio à propaganda do Departamento de Imigração dos EUA (ICE), modelo de distribuição de royalties e uso de inteligência artificial pela empresa de streaming.

Em entrevista à Billboard Español, em Cidade do México, Albarrán declarou: “É hora de levantarmos nossa voz. Como músicos, estamos usando nossa plataforma para expor o que consideramos moralmente condenável”. Formado em 1989, o grupo vencedor de oito Latin Grammys e um Grammy nordestino conta atualmente com 7,3 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Em resposta enviada por e-mail à publicação no dia 8 de janeiro, o Spotify México afirmou que “não financia guerras” e esclareceu que a empresa Helsing, citada no protesto, é independente e vende tecnologia de defesa à Ucrânia. A plataforma também negou vínculos atuais com anúncios do ICE, declarou ter política de IA voltada à proteção de artistas e ressaltou o faturamento gerado pelas músicas de Café Tacvba.

A iniciativa do quarteto sucede manifestações semelhantes de nomes como Massive Attack, Björk e Lorde, que também reivindicaram a retirada de seu trabalho, embora ainda estejam disponíveis na plataforma.

Albarrán ressaltou que o principal ganho foi abrir o debate público sobre as práticas corporativas do Spotify. O vocalista explicou que, embora ainda não tenham recebido resposta das gravadoras, o processo de remoção depende dessas empresas, pois os contratos de exploração fonográfica foram assinados com elas, não diretamente com a plataforma de streaming.

Questionado sobre a alegação do Spotify de que a banda teria gerado “milhões de dólares” em receita, Albarrán rebateu que o valor real recebido pelos músicos está longe desse montante. “Se alguém lucrou milhões, não fomos nós”, disse, sugerindo que a maior parte dos recursos pode estar retida pelas empresas.

Imagem: Café Tacvba Toni Francois Español

Além do foco em Café Tacvba, Albarrán anunciou que a outra formação de que participa, o coletivo Los K’comxtles, também deve protocolar pedido de remoção em breve, apesar da resistência inicial de seu agregador independente.

Sobre o hiato da banda, iniciado no fim de 2024, Albarrán revelou que a pausa pode se estender até meados de 2025 ou além. “Estamos aproveitando um ritmo mais lento. Em tempos difíceis, precisamos desacelerar”, afirmou.

Ao final, o artista convocou fãs e usuários do serviço a cancelarem suas assinaturas em cerca de 20 minutos, contribuindo para pressionar a plataforma a rever suas práticas.

Com informações de Billboard