Cientistas da Universidade Brown, nos Estados Unidos, identificaram o mecanismo que permite a aves em formação em V reduzirem o gasto energético ao voar. Publicado na última terça-feira (21) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o trabalho mostra que a principal economia provém da diminuição dos movimentos das asas da ave que segue a líder.
O estudo, conduzido por Olivia Pomerenk e Kenny Breuer, concentrou-se na interação entre duas aves usando o íbis-eremita-do-norte como referência. O modelo matemático desenvolvido pelos pesquisadores indica que a ave posicionada atrás e ligeiramente à lateral do líder pode cortar cerca de 11% da potência mecânica necessária para se manter no ar.
Como a formação beneficia a ave que vem atrás
Segundo os autores, a vantagem está ligada aos vórtices gerados pelas pontas das asas durante o bater. Esses redemoinhos modificam o fluxo de ar ao redor do animal e formam uma região lateral de movimento ascendente do ar — conhecida como upwash — que oferece condições de voo mais favoráveis para a ave subsequente.
A principal diferença observada foi na amplitude das batidas das asas: na posição atrás do líder, o íbis apresentou batidas com cerca de 70% da amplitude registrada quando voa sozinho. Com isso, a ave que segue depende menos de esforço próprio para gerar impulso, já que o rastro aerodinâmico do líder contribui para sustentar e avançar o corpo em voo.
Modelo por etapas reproduz o rastro variável
Para explicar o efeito, os pesquisadores criaram uma representação matemática que primeiro simulou o rastro produzido por uma ave isolada e depois avaliou uma segunda ave inserida nessa região. O método leva em conta que o rastro não é estático: as asas batem continuamente, fazendo com que a corrente de ar mude ao longo do tempo. Por isso o movimento foi dividido em instantes sequenciais, permitindo calcular as forças que atuam em cada etapa, como se fossem imagens congeladas do voo.
Com essa abordagem, Pomerenk e Breuer mostraram que a presença do líder reduz a necessidade de produção de impulso pela ave que vem atrás, o que se traduz em batidas de asas menos intensas e, portanto, em economia de energia.
Imagem: Divulgação
Implicações e resultados anteriores
Os autores destacam que as conclusões corroboram experimentos anteriores do laboratório de Breuer com estorninhos, que apontaram redução de até 25% no custo energético do voo em formação em V em ambiente controlado. Breuer também observou que o conhecimento pode ter aplicações fora da biologia, como no planejamento e operação de enxames de drones para agricultura ou combate a incêndios.
Os pesquisadores esperam que o modelo entre duas aves sirva de base para representações mais complexas de bandos, ajudando a aprofundar a compreensão sobre movimentos coletivos e sincronizados observados em diferentes espécies.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6