Em 15 de janeiro de 2026, os artistas Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago apresentaram ao público o álbum colaborativo Criolo, Amaro & Dino, composto por 11 faixas originais e um interlúdio que cita “Passaredo” (Francis Hime e Chico Buarque, 1977). O projeto se destaca pela união de linguagens musicais que atravessam o Atlântico e reforçam o vínculo com as diásporas africanas.

O primeiro single extraído do trabalho, “No vento de nós”, assinado em parceria com o violonista cabo-verdiano Djodje Almeida, imprime forte caráter espiritual. A letra celebra a ancestralidade e o encontro entre Brasil, Portugal e Cabo Verde, mostrando a preocupação ambiental que permeia a obra.

Em “Seka”, a marca rítmica de Cabo Verde aparece no batuque que serve de base ao piano frenético de Amaro Freitas. A produção desse tema contou com colaboração do produtor Lucas Seiji e evoca a aridez do solo africano, dialogando com vozes femininas ancestrais em uma atmosfera de resgate cultural.

O repertório transita ainda por territórios regionais do Brasil. A faixa “Menina do coco de Carité” chega pontuada pelo piano percussivo de Amaro, pelo canto do trio Clarianas e pela rabeca de Maciel Salú, mestre do maracatu. A gravação do disco ocorreu em Lisboa, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, mas reflete uma linguagem que se afirma sem fronteiras.

O álbum explora a herança da diáspora africana em diferentes vertentes: o canto em inglês de “Mama Afrika”; o suingue pop de “Anoitecer”, composto e produzido apenas por Amaro e Criolo; e a morna “Fogo lento”, de clima introspectivo. Já as letras de Criolo ganham força crítica em “E se livros fossem líquidos (Poeta fora da lei Pt II)” e em “Amazônia (A-i’ahu)”, onde ele retoma versos de “Chuva ácida” (2006) para denunciar o aquecimento global.

Imagem: Vik Muniz

O pianista Amaro Freitas, reconhecido internacionalmente, aporta ao projeto o improviso do jazz, enquanto Dino D’Santiago reforça a conexão com as raízes lusofônicas. A última faixa, “Hoje eu vi você”, produzida por Criolo em parceria com Holly, encerra a obra com um clima de esperança e resiliência.

Com influência de música popular brasileira, ritmos africanos e jazz contemporâneo, Criolo, Amaro & Dino firma-se como um projeto que celebra a negritude e aprofunda o diálogo cultural entre continentes.

Com informações de G1