Jovens buscam oportunidade, mas sentem-se despreparados e pouco acolhidos
Uma pesquisa realizada pelo Instituto PROA, chamada Horizonte Comum, mostra que a ideia de que a geração Z não tem interesse em trabalhar é equivocada. O estudo reuniu depoimentos de 420 jovens de baixa renda e oriundos de escolas públicas, além de entrevistas com 129 empregadores de empresas de médio e grande porte, e revela que 75% dos jovens entrevistados afirmam querer construir uma carreira.
O levantamento descreve condições de vida marcadas por vulnerabilidades cotidianas, como falta de privacidade e sobrecarga nas tarefas domésticas. O grupo pesquisado é majoritariamente formado por mulheres, pessoas negras e jovens de famílias com baixa escolaridade. Esse contexto contribui para que muitos se sintam despreparados frente às rotinas e códigos do ambiente corporativo.
Apesar do desejo de progredir profissionalmente, apenas 36% dos jovens dizem sentir-se bem-vindos no local de trabalho. O estudo aponta que a insegurança não é apenas técnica: traduz-se em desconforto simbólico e sensorial diante de ações consideradas simples por quem já pertence ao ambiente corporativo, como usar o elevador ou transitar em halls de empresas. A ausência de uma “tradução cultural” transforma esses espaços em uma sucessão de testes informais, nos quais errar pode ter alto custo.
Dados externos citados pela pesquisa mostram que, segundo a Gallup, até 50% da geração Z sente-se ansiosa ou estressada no trabalho o tempo todo ou na maior parte do tempo; no Brasil, esse percentual tende a ser ainda mais alto, segundo os autores do estudo.
Do lado das organizações, o levantamento indica desalinhamentos entre expectativa e prática: 83% das empresas esperam que os jovens permaneçam até três anos em um emprego, enquanto a alta rotatividade reflete estruturas sociais e modelos organizacionais que ainda não acolhem plenamente a diversidade juvenil. Mais da metade dos empregadores não oferece feedback estruturado e 60% não investem em formação continuada.
Imagem: Divulgação
O estudo conclui que a inclusão produtiva desses jovens requer mais do que capacitação técnica: demanda agendas e práticas que considerem desigualdades e contextos reais, além de mediação ativa entre mundos distintos. Entre as soluções apontadas estão mentorias cruzadas, espaços de escuta intergeracional e trilhas de socialização profissional que aproximem potencial e oportunidade.
O relatório não atribui culpa exclusiva a nenhum dos lados, mas ressalta a necessidade de preparar tanto os jovens para o mercado quanto o ambiente de trabalho para acolhê‑los e desenvolvê‑los.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6