O mercado brasileiro de ETFs (fundos negociados em bolsa) registrou crescimento acelerado nos últimos dois anos e atingiu cerca de R$ 116 bilhões em patrimônio. O avanço foi impulsionado pelo lançamento de novos produtos e pela entrada de recursos de investidores que buscam alternativas com custos e tributação mais vantajosos.

O movimento faz parte de uma expansão mais ampla na América Latina. Em diferentes países da região, houve aumento do interesse por ETFs adaptados às demandas locais, com registros expressivos no México, Chile e Colômbia.

No Brasil, gestoras como BTG Pactual Asset Management e Itaú Asset Management ampliaram rapidamente suas operações. Parte significativa da procura concentra-se em ETFs de renda fixa, que oferecem exposição às taxas de juros elevadas do país com custos normalmente inferiores e vantagens tributárias em comparação com fundos tradicionais.

Segundo dados das próprias gestoras, a divisão de ETFs do BTG Pactual viu o patrimônio subir para mais de R$ 20 bilhões, ante cerca de R$ 1 bilhão no fim de 2024. A Investo, gestora apoiada pela VanEck, elevou os recursos sob gestão de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 11 bilhões em um intervalo de quase dois anos.

De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os ETFs de renda fixa receberam mais de R$ 27 bilhões em aportes líquidos no Brasil em 2026. Esses fundos não estão sujeitos ao mecanismo conhecido como come-cotas, pelo qual investidores de muitos fundos tradicionais de renda fixa antecipam o pagamento do Imposto de Renda duas vezes por ano.

Em junho, o patrimônio dos ETFs de renda fixa superou o volume aplicado em produtos de renda variável. Na Itaú Asset Management, a maior demanda concentrou-se em ETFs que investem em títulos públicos.

Na América Latina, a Colômbia registrou aumento de 24% no número de fundos listados em relação ao ano anterior, enquanto o Chile teve expansão de 37%. No México, o patrimônio de ETFs e outros produtos negociados em bolsa alcançou US$ 15,3 bilhões, ante US$ 14,3 bilhões do ano anterior, segundo a consultoria ETFGI. Os fundos de pensão mexicanos (Afores) também têm recorrido a ETFs, com destaque para produtos temáticos e de gestão ativa.

ETFs triplicam no Brasil e alcançam R$ 116 bilhões em patrimônio

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Em comparação aos maiores mercados globais, a América Latina ainda é pequena: nos Estados Unidos, o patrimônio administrado por ETFs ultrapassa US$ 15,6 trilhões, e na Europa os produtos somam mais de US$ 3 trilhões. Na Ásia, o Japão liderava ao fim do segundo trimestre com cerca de US$ 845 bilhões sob gestão, seguido por China continental, Taiwan e Coreia do Sul, segundo a Bloomberg Intelligence.

Produtos de gestão ativa são uma realidade recente em parte da região: Taiwan lançou seu primeiro ETF desse tipo em 2025, há expectativa de autorização na China em 2026, e a Índia mantém foco em estratégias passivas. Nos principais ETFs asiáticos, temas ligados à inteligência artificial têm impulsionado patrimônio e desempenho, enquanto a elevada volatilidade levou reguladores da Coreia do Sul a adotar medidas para reduzir o risco de quedas bruscas.

No Brasil, órgãos reguladores estudam permitir estratégias de gestão ativa para ETFs, cujos primeiros efeitos e um eventual novo impulso à demanda são esperados para 2027.

Com informações de Portalin