Homens estão usando com maior frequência ferramentas de inteligência artificial para buscar orientação sobre salários e negociações, segundo várias pesquisas recentes. Embora o uso geral de chatbots de IA entre homens e mulheres tenha se aproximado nos últimos anos, a aplicação dessas ferramentas em contexto profissional ainda apresenta diferenças de gênero.

Um estudo do Pew Research Center, publicado em 17 de junho de 2026, aponta que atualmente homens e mulheres adotam chatbots em proporções semelhantes, encerrando a vantagem de 11 pontos percentuais relatada dois anos antes. Entretanto, levantamentos específicos sobre uso no trabalho mostram que os homens continuam mais propensos a empregar IA no ambiente profissional.

Pesquisa da consultoria de carreira Ruth, em parceria com o instituto Harris Poll, com 2.131 trabalhadores entrevistados, revela uma discrepância relevante na confiança depositada na IA para assuntos de remuneração. Entre os entrevistados, 63% dos homens relataram ter usado IA para obter orientações sobre salário, ante 42% das mulheres. Além disso, 59% dos homens afirmaram que consultariam a tecnologia para decidir quanto pedir em um novo emprego ou em um aumento, contra 44% das mulheres.

Os dados também indicam maior disposição masculina em seguir recomendações da IA: 57% dos homens disseram confiar nas sugestões da tecnologia tanto quanto nas de um especialista humano, frente a 43% das mulheres. De forma geral, 45% dos adultos afirmam buscar orientação profissional com IA, mas apenas cerca de um terço dos entrevistados recorre à tecnologia especificamente para aconselhamento sobre negociações salariais.

Percepção de viés e jovens mulheres

O relatório da Ruth destaca ainda que muitos trabalhadores reconhecem que a IA costuma transmitir autoridade, mesmo quando está equivocada: mais de 70% perceberam que a tecnologia passa confiança apesar de recomendações incorretas. Pesquisas anteriores, incluindo um estudo disponível no arXiv, já mostraram que chatbots podem sugerir salários menores para mulheres e pessoas negras.

Apesar disso, mais de três quartos dos entrevistados disseram não saber que a IA pode oferecer conselhos de carreira enviesados, e 43% não acreditaram que raça ou gênero tenham influenciado recomendações que receberam. Entre mulheres jovens, mais de um quarto declarou não ficar “nem um pouco surpresa” ao constatar preconceitos nos sistemas de IA.

Homens recorrem mais à IA para orientar negociações salariais, mostram pesquisas

Imagem: Divulgação

Outras apurações apontam que mulheres tendem a adotar a IA com mais cautela e recebem menos incentivo para seu uso no trabalho. Em alguns grupos femininos, como empreendedoras, há indícios de benefícios maiores quando a tecnologia é adotada. O relatório ressalta que o desequilíbrio no uso da IA para negociações salariais pode reforçar vieses que já sustentam desigualdades de remuneração entre homens e mulheres e dificultar a negociação por parte delas.

Fim da notícia.

Com informações de Fastcompanybrasil