Quem: Alphabet (controladora do Google), Amazon, Microsoft e Meta.

O que: O anúncio da Alphabet sobre aumento dos investimentos em infraestrutura para inteligência artificial provocou queda nas ações da empresa e gerou preocupação entre investidores sobre possíveis repercussões para outras gigantes de tecnologia.

Quando: Na última quarta-feira (22), durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, a Alphabet informou que elevará sua previsão de investimentos de capital (capex) para 2026. A reação do mercado ocorreu na quinta-feira (23), quando as ações da Alphabet caíram 7% e os papéis da Amazon, Microsoft e Meta também recuaram.

Onde: Impacto sentido em Wall Street e em mercados que acompanham as grandes provedoras de tecnologia e serviços em nuvem.

Como: A Alphabet disse que acelerará a construção de novos data centers voltados à IA, elevando sua previsão de capex para 2026. Investidores passaram a questionar se os gastos bilionários trarão retorno financeiro no curto prazo, reduzindo o apetite por novas altas desses investimentos.

Reavaliação do mercado sobre investimentos

Nos últimos trimestres, Wall Street vinha interpretando o aumento de capex como sinal de demanda robusta por IA e potencial de crescimento de receitas. A Alphabet era vista como a favorita para converter esses gastos em ganhos, com valorização de cerca de 70% nos últimos doze meses, impulsionada pela expansão da computação em nuvem e adoção dos modelos Gemini.

Porém, a reação negativa ao balanço mais recente sinaliza que o mercado agora exige provas mais claras de retorno antes de aceitar novos aumentos nos investimentos. Mark Mahaney, chefe de pesquisa para internet da Evercore ISI, afirmou em relatório que o aumento do capex da Alphabet “aumenta as chances de comportamento semelhante” por parte da Amazon e da Microsoft.

Perspectivas para Microsoft

Em abril, a Microsoft projetou aproximadamente US$ 190 bilhões em investimentos de capital e contratos de leasing financeiro para 2026, incluindo cerca de US$ 25 bilhões relacionados ao avanço dos preços de componentes por causa da demanda por chips de IA. Analistas da Visible Alpha estimam investimentos próximos de US$ 190,1 bilhões.

Derrick Wood, analista da Cowen, afirmou à CNBC que, se a Microsoft anunciar novo aumento no capex, “isso provavelmente levará a uma pressão de venda sobre as ações”, com base na reação observada ao Google.

Possível elevação dos gastos da Amazon

Após o balanço da Alphabet, a projeção consensual para os investimentos da Amazon subiu quase US$ 2 bilhões, alcançando US$ 207,4 bilhões, segundo a Visible Alpha. Em fevereiro, a Amazon havia projetado cerca de US$ 200 bilhões para 2026; posteriormente, a Alphabet elevou seu próprio teto para US$ 205 bilhões. Em abril, a Amazon manteve a estimativa, e o CEO Andy Jassy disse que o plano permanecia praticamente inalterado.

Analistas passam a prever novo aumento nos investimentos da Amazon por conta da expansão de projetos de IA, desenvolvimento de chips próprios, alta nos preços de memória e avanço de iniciativas como internet via satélite.

Google eleva investimentos em IA e acende alerta em Wall Street; Amazon, Microsoft e

Imagem: Divulgação

Cresce a “fadiga da IA” e aumento do endividamento

Jake Dollarhide, CEO da Longbow Asset Management — cuja maior posição em carteira é a Amazon — afirmou que a empresa pode ter dificuldade para impressionar investidores em meio a uma “fadiga crescente com a inteligência artificial”, estimulada pelo rápido aumento dos orçamentos e pelo crescimento do endividamento para financiar grandes data centers.

Os números mostram essa tendência: a dívida de longo prazo da Amazon subiu 81%, para US$ 119 bilhões entre 31 de dezembro e 31 de março. Na Alphabet, a dívida cresceu 111% nos primeiros seis meses de 2026, alcançando US$ 98 bilhões, e a empresa registrou fluxo de caixa livre negativo no segundo trimestre pela primeira vez.

Visões divergentes entre analistas

Analistas da Wedbush, por outro lado, defendem que o aumento do capex reflete demanda muito forte por serviços de nuvem e que um eventual aumento nos gastos da Amazon não seria necessariamente negativo, citando a retomada do crescimento da AWS e vantagens em plataformas como Bedrock, Alexa e sua rede logística, e mantendo recomendação de compra.

O mercado de nuvem segue aquecido: apesar do Google Cloud crescer mais rapidamente, a AWS continua a maior provedora, seguida pela Microsoft. Em 2020, o Google Cloud tinha cerca de 30% do tamanho da AWS; no primeiro trimestre de 2026 essa participação aproximou-se de 50%. A divisão de nuvem da Alphabet cresceu 82% no segundo trimestre, após expansão de 63% no trimestre anterior.

Para a AWS, analistas consultados pela FactSet projetam crescimento de cerca de 32% na receita do segundo trimestre, acima dos 28% do trimestre anterior. A receita do Azure e outros serviços de nuvem da Microsoft cresceu 40% no primeiro trimestre, com consenso da FactSet apontando 39% para o segundo.

Entre as grandes, a Meta ainda não tem um negócio consolidado de computação em nuvem, mas projeta investir cerca de US$ 138,9 bilhões neste ano, podendo chegar a US$ 145 bilhões, segundo informação dada em abril. A empresa também estuda vender capacidade computacional para terceiros e mantém forte geração de caixa.

Analistas consultados pela FactSet estimam que a Microsoft pode registrar fluxo de caixa livre negativo no quarto trimestre pela primeira vez desde pelo menos 2001. A Amazon já apresentou fluxo de caixa livre negativo no primeiro trimestre e a expectativa é de que permaneça assim ao longo de 2026 — situação semelhante à enfrentada em 2021 e 2022.

Apesar das incertezas de curto prazo, gestores como Tiffany Wade, da Columbia Threadneedle, defendem paciência com essas companhias, acreditando que serão vencedoras na inteligência artificial a médio e longo prazo. Durante a teleconferência de resultados da Alphabet, o CEO Sundar Pichai sustentou a estratégia de contratar capacidade computacional de fornecedores externos para atender à demanda, afirmando que a abordagem deve gerar margens atraentes ao longo dos próximos anos.

Com informações de Olhardigital