Sem recursos para contratar funcionários, microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil têm recorrido a ferramentas de inteligência artificial (IA) para executar tarefas operacionais e administrativas. Em Socorro (SP), o padeiro Tobias Alm Bueno passou a empregar sistemas de IA para controlar estoque, calcular insumos e avisar quando reabastecer ingredientes, função que antes consumia horas de trabalho manual.
O uso da tecnologia não se limita ao setor de alimentos. Na área de tecnologia, empreendedores como Ezequiel Vedana usaram geradores de código baseados em IA para desenvolver plataformas completas sem precisar contratar desenvolvedores. Vedana testou diversas ferramentas antes de lançar sua solução, a AncorAI, buscando ferramentas capazes de lidar com emissão de notas fiscais, Open Finance e fluxos de atendimento.
Como a IA tem sido aplicada e suas limitações
Segundo relatos dos próprios empreendedores, a IA tem permitido ganhos de eficiência imediatos. No caso da padaria de Tobias, o sistema eliminou anotações manuais e conferências presenciais de estoque, reduzindo o risco de erros de cálculo. Ainda assim, o empresário ressalta que fatores biológicos — como temperatura, umidade, tipos de farinha e o comportamento da massa em fermentação natural — variam diariamente e exigem julgamento humano; ele diz sempre confrontar as sugestões da máquina com sua experiência prática antes de alterar processos.
No desenvolvimento de software, a IA acelerou testes de interface e validação de funções, permitindo que telas e funcionalidades fossem validadas em poucos dias. Vedana, contudo, alerta para a diferença entre colocar uma interface no ar e garantir a proteção do sistema contra ameaças digitais. Sem formação específica, ele combinou varreduras automatizadas com consultas a programadores experientes para tratar questões de segurança e proteção de dados.
Escala e riscos para pequenos negócios
Levantamentos do Sebrae indicam que cerca de 70% dos pequenos negócios no país já utilizam ferramentas digitais no dia a dia, e a automação tem sido uma resposta comum à escassez de pessoal. Para Felipe Matos, CEO da 10K Digital, a evolução para modelos agênticos — capazes de executar rotinas, não apenas responder perguntas — permitiu substituir projetos que antes demoravam anos por soluções construídas em dias.
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Especialistas ouvidos destacam, porém, que velocidade de execução não substitui estratégia. A simples disponibilização de ferramentas não garante aumento automático de produtividade; é necessário planejar a implementação, supervisionar resultados e manter profissionais responsáveis pela revisão, orientação e tomada de decisões. Assim, embora a IA amplie possibilidades e ofereça economia para quem não tem caixa, a condução do negócio continua dependendo do julgamento humano.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6