O segundo estágio de um foguete Falcon 9, que lançou as sondas Blue Ghost e Hakuto-R em janeiro de 2025, está previsto para colidir com a superfície lunar na madrugada de 5 de agosto. O impacto ocorrerá às 3h35 (Brasília UTC-3), segundo os cálculos disponíveis, após cerca de 18 meses em uma órbita altamente elíptica entre a Terra e a Lua.
Após a missão, o estágio permaneceu sem combustível suficiente para uma reentrada controlada e passou a seguir uma trajetória influenciada pela interação gravitacional entre os dois corpos. Pequenas perturbações acumuladas ao longo do tempo alteraram a órbita até tornar inevitável a colisão com a Lua.
Onde e como ocorrerá o impacto
As previsões indicam que a queda ocorrerá nas proximidades da cratera Einstein, próximo à borda visível do hemisfério lunar e perto da cratera Carroll, nomeada pela tripulação da Artemis 2. A região estará iluminada pelo Sol no momento do impacto, o que dificulta a observação direta devido ao brilho da superfície; ainda assim, por se situar próximo ao limbo lunar, há possibilidade de registro da pluma de material ejetado.
Observatórios profissionais e amadores já se organizam para tentar captar o evento, cuja localização foi mapeada por cálculos como os de Bill Gray. A geometria e a iluminação tornam a captura visual desafiadora, mas a proximidade com a borda lunar aumenta a chance de detectarmos a nuvem de detritos gerada.
Valor científico e contexto
Impactos na Lua são importantes para a ciência porque expõem camadas do subsolo e ajudam a caracterizar composição e história geológica. A superfície lunar, sem atmosfera significativa e com escassa atividade geológica, preserva crateras por milhões de anos. Quando um objeto atinge o regolito, parte do material superficial e rochas enterradas é lançada, permitindo estudos temporários do que existe abaixo da superfície.
Esse evento tem um elemento raro: conhecemos antecipadamente as características do objeto que causará o impacto. Isso permite confrontar modelos teóricos com observações reais — brilho do impacto, quantidade de material ejetado e dimensão da cratera — e aprimorar previsões usadas tanto para estudar outros impactos naturais quanto para planejar operações em futuras bases lunares. Missões anteriores, como a LCROSS em 2009, aproveitaram colisões deliberadas para investigar a presença de gelo em crateras polares.
Imagem: Divulgação
Do ponto de vista físico, o estágio tem massa aproximada de quase 5 toneladas e deverá atingir a Lua a cerca de 2.430 metros por segundo, liberando energia equivalente a aproximadamente 3 toneladas de dinamite e gerando uma cratera estimada em torno de 30 metros. Para a Lua, será mais um impacto entre muitos; para a comunidade espacial, o episódio reacende a discussão sobre descarte de veículos e a presença de detritos em corpos celestes.
O evento poderá ser observado — apesar das dificuldades — em boa parte das Américas, da África e da Europa. Profissionais e astrônomos amadores monitorarão o local para coletar dados que servirão tanto à pesquisa quanto à validação de modelos de impacto.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6