O balanço de vítimas na tentativa de entrada massiva em Ceuta aumentou para 72, informou neste domingo (2) o governo local. A atualização, divulgada pelo delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, eleva o total anterior de 67 mortos.

Quase 60 mil pessoas teriam conseguido entrar no exclave espanhol na última semana, segundo autoridades, e a maioria já retornou ao Marrocos. As causas mais frequentes das mortes foram afogamento e pisoteamentos durante o fluxo desordenado de pessoas, de acordo com o novo levantamento.

Forças policiais e militares espanholas percorreram as ruas de Ceuta no domingo enquanto a cidade tenta retomar a normalidade após a chegada repentina de migrantes provenientes do Marrocos. Apenas um reduzido número de migrantes permanece no território.

O Ministério do Interior do Marrocos afirmou que as travessias em massa foram impulsionadas por desinformação em redes sociais, atuação de redes de tráfico humano e uma interpretação equivocada de uma decisão judicial espanhola que proíbe a devolução imediata de migrantes interceptados no mar. Do lado marroquino, a pasta reportou que 11 pessoas morreram ao tentar a travessia — número que diverge das autoridades espanholas.

A crise gerou repercussão internacional e críticas de vários aliados europeus às políticas espanholas favoráveis à regularização de migrantes. Em sua bênção dominical do Angelus, o papa Leão 14 expressou preocupação com a situação em Ceuta e pediu que se encontrem soluções que tragam paz, estabilidade e justiça, invocando a intercessão de “Nosso Senhor da África”.

Para reforçar a vigilância, foi instalada no sábado uma nova cerca fronteiriça que se estende pelo mar, com boias ao longo de 500 metros, e pequenas embarcações infláveis de uma unidade de resgate passaram a monitorar as águas adjacentes.

Número de mortos sobe para 72 após tentativa em massa de entrar em Ceuta

Imagem: Antonio Sempere/AP

Madri atribui o episódio a grupos criminosos que espalharam boatos sobre uma suposta facilitação da entrada por uma sentença do Supremo Tribunal espanhol. Alguns analistas também levantaram a hipótese de que o governo do Marrocos pode ter permitido a saída em massa como forma de pressionar a Espanha após o avanço das relações espanholas com a Argélia.

A União Europeia marcou uma reunião por videoconferência para terça-feira (4), na sequência de uma carta aberta assinada por 22 membros do bloco que pediu uma resposta rápida e coordenada para evitar novas entradas descontroladas. A Itália, por sua vez, suspendeu a aplicação do acordo de Schengen com a Espanha a partir do sábado, por um período de um mês. Em carta aos líderes da UE, o primeiro‑ministro espanhol Pedro Sánchez criticou a reação que classificou como “egoísta” por parte de alguns países do bloco.

Com informações de Valor.globo