Executivos das principais petroleiras dos Estados Unidos alertaram para a possibilidade de um colapso no mercado mundial de petróleo caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se mantenha. Empresas como Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips dizem que o mercado tem se apoiado em estoques comerciais, reservas estratégicas e embarques que já estavam em trânsito antes do início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, afirmou em conferência com analistas nesta sexta-feira (1) que a atual situação de suprimento não é sustentável no longo prazo. Woods destacou que o mercado ainda não absorveu totalmente o impacto dessa interrupção sem precedentes na oferta global de petróleo e gás natural, e alertou que o quadro pode se agravar se a via marítima permanecer fechada.

O fechamento do Estreito de Ormuz prejudica o fluxo de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo, cenário historicamente descrito como o “pior” para o setor. Apesar de o barril ter subido mais de 50% desde que o Irã iniciou o bloqueio, há dois meses, os preços atuais — em torno de US$ 100 — ainda não alcançaram patamares recordes.

Woods advertiu que essa realidade tende a mudar quando os estoques chegarem aos níveis operacionais mínimos, eliminando uma das principais fontes de abastecimento emergencial. No fechamento de sexta-feira, o barril do West Texas Intermediate (WTI) recuou cerca de 4%, ficando próximo de US$ 102, após sinais de que o Irã poderia manter negociações diplomáticas com Washington após nove semanas de hostilidades. Mesmo assim, o mercado segue volátil, com alta acumulada superior a 50% desde o início do conflito.

O diretor financeiro da ConocoPhillips, Andy O’Brien, explicou que o mercado passou por um “período de carência” desde o fim de fevereiro, enquanto navios carregados antes do conflito concluíam suas rotas e entregas. Com o fim desses embarques, segundo ele, a escassez começará a se tornar mais visível. O’Brien acrescentou que o impacto já é sentido na Ásia, onde refinarias reduziram a produção e governos recomendam que trabalhadores atuem em casa para poupar combustível.

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Analistas do JPMorgan Chase indicaram em nota técnica que os estoques comerciais das nações desenvolvidas deverão atingir níveis de estresse operacional no início de junho. Caso o impasse persista até setembro, os estoques podem alcançar o limite mínimo, o que obrigaria uma forte redução da demanda para reequilibrar o mercado. O CEO da Chevron, Mike Wirth, resumiu que, conforme esses “amortecedores” se esgotam, a capacidade de absorver choques diminui, tornando os sinais de preço ainda mais intensos.

As petroleiras alertam que, se a rota permanecer bloqueada, a pressão sobre preços e disponibilidade de combustíveis tende a aumentar nas próximas semanas e meses, com risco de desabastecimentos em países dependentes de importações.

Com informações de Investnews