Criminosos teriam subtraído cerca de US$ 130 milhões em criptomoedas de usuários da carteira física Coldcard, produzida pela Coinkite, explorando uma falha no processo de geração das frases de recuperação dos aparelhos. A ocorrência foi identificada por empresas de segurança em blockchain e divulgada na terça-feira (4 de agosto de 2026).

Falha na geração de chaves abriu caminho para ataques contra carteiras offline

A Coldcard é uma carteira de hardware projetada para manter as chaves privadas offline, oferecendo uma camada adicional de proteção em relação às carteiras conectadas à internet. No entanto, pesquisadores detectaram que a vulnerabilidade estava justamente na etapa inicial de criação das chaves de recuperação em determinadas versões do firmware.

Segundo as investigações, os invasores não precisaram invadir fisicamente os dispositivos nem obter informações armazenadas nos aparelhos: conseguiram reproduzir o método de geração das chaves e, a partir daí, calcular combinações possíveis das frases de recuperação para acessar os fundos. Com as chaves privadas recriadas, os criminosos transferiram os ativos das carteiras afetadas.

A empresa Galaxy Research afirmou que pelo menos 12 grupos distintos estariam atuando contra usuários desses equipamentos. A estimativa de perdas acumuladas foi calculada em aproximadamente US$ 130 milhões, valor que Tom Robinson, cofundador e cientista-chefe da Elliptic, considera próximo da realidade.

Pesquisadores da Block também analisaram o problema e apontaram que a origem está no código usado para gerar as chaves em versões específicas do dispositivo. Esse defeito tornou previsível parte do processo de criação das frases de recuperação, permitindo que atacantes reproduzissem as chaves sem contato com os aparelhos.

Hackers exploram falha e roubam US$ 130 milhões de criptomoedas de carteiras Coldcard

Imagem: Ap

Um dos relatos públicos veio de Jonathan Goodman, que declarou ter tido US$ 1,6 milhão em Bitcoin retirados de sua carteira no dia 29 de julho. Goodman disse que suas chaves estavam armazenadas em um Coldcard guardado em um cofre e que os aparelhos nunca foram conectados à internet, reforçando que o vetor de ataque foi o código de geração das chaves.

A Coinkite reconheceu o problema e publicou um alerta orientando clientes a atualizarem o firmware dos dispositivos. A empresa recomendou que usuários afetados migrassem seus fundos para uma nova chave como medida de proteção.

Com informações de Olhardigital