Pesquisas apresentadas na conferência COSPAR, realizada em Florença (Itália) e organizada pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), indicam que a combinação de minerais associados a microrganismos na Terra e de matéria orgânica complexa detectada pelo rover Perseverance aumenta a probabilidade de que Marte tenha abrigado vida no passado.

Quem falou sobre o achado foi a pesquisadora Teresa Fornaro, do Observatório Arcetri do INAF e professora de astrobiologia em Florença, colaboradora da missão Perseverance. Ela informou à agência ANSA que, se houve vida marciana, ela teria maior chance de ter existido como microrganismos subterrâneos, protegidos da radiação presente na superfície e obtendo energia a partir das próprias rochas.

Evidências indiretas e limites da análise atual

Fornaro ressaltou que os dados reunidos até o momento são evidências indiretas. A matéria orgânica detectada pelo rover apresenta estrutura alterada, o que dificulta identificar sua origem com confiança. Segundo a pesquisadora, uma resposta definitiva só será possível quando as amostras coletadas em Marte puderem ser analisadas em laboratórios na Terra.

Uma amostra relevante para essa discussão foi coletada no verão de 2024 e contém sinais com potencial origem biológica, sujeitos a análises adicionais para confirmação. O administrador da NASA, Sean Duffy, comentou a descoberta como “o momento em que chegamos mais perto do que nunca da vida em Marte”.

O rover Perseverance iniciou suas operações em Marte em 2021 com o objetivo de buscar sinais de vida orgânica antiga. A missão Mars 2020 foi projetada inicialmente para durar um ano marciano — cerca de 687 dias terrestres —, mas teve sua duração estendida por tempo indeterminado. O veículo segue ativo, coletando amostras de rochas e regolito que têm contribuído para avanços nas investigações científicas sobre o planeta.

Perseverance encontra indícios que aumentam probabilidade de vida antiga em Marte

Imagem: Divulgação

ExoMars e o rover Rosalind Franklin

Fornaro destacou a missão ExoMars, conduzida pela Agência Espacial Europeia (ESA), como uma das iniciativas com maior capacidade de avançar na questão. O lançamento do rover Rosalind Franklin está previsto para 2028, com pouso esperado em Marte em 2030. Uma sonda inicial da missão, o Trace Gas Orbiter, foi lançada em 2016 para estudar a atmosfera marciana.

O diferencial do Rosalind Franklin é a capacidade de perfurar até dois metros abaixo da superfície e carregar instrumentos considerados os mais avançados já enviados ao planeta, enquanto rovers anteriores exploraram apenas a superfície. O objetivo central da missão é reunir evidências diretas que possam responder se Marte já abrigou vida.

Com informações de Olhardigital