Eunice Oliveira Silva assina documento pela primeira vez após aprender a escrever na EJA

Eunice Oliveira Silva, de 90 anos, moradora de Araruama (RJ), conseguiu pela primeira vez assinar o próprio Registro Geral (RG) após aprender a escrever o próprio nome ao ingressar na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município. A idosa havia usado, por décadas, apenas a impressão digital para identificar-se em documentos oficiais.

Impedido de frequentar a escola na infância, Eunice iniciou a vida de trabalho ainda criança. Segundo relatos, ela começou a trabalhar aos 6 anos e, ao longo da vida, criou nove filhos. Em meio às responsabilidades familiares, participou ativamente da formação de seus descendentes e ajudou uma das filhas a se formar.

Recentemente, ao se matricular na EJA oferecida em Araruama, Eunice aprendeu a traçar as letras do próprio nome e pôde, pela primeira vez, rubricar o documento de identidade. A mudança simples, mas simbólica, passou a representar uma conquista pessoal importante para a idosa, que após o aprendizado expressou o desejo de seguir estudando e pensa até em cursar Ciências Contábeis.

O caso de Eunice chamou atenção na comunidade local por unir historicidade e persistência: depois de décadas assinando documentos com a impressão digital, a aquisição da habilidade de escrever permitiu-lhe autonomia na identificação pessoal e abriu a perspectiva de novos projetos educacionais na terceira idade.

Familiares e profissionais envolvidos no processo de ensino na EJA destacaram a importância do acesso à educação para todas as idades, ressaltando que iniciativas como essa possibilitam que pessoas que foram privadas de ensino na infância recuperem oportunidades de aprendizagem e assumam novas metas, como a continuidade dos estudos em nível superior.

Aos 90 anos, mulher que trabalhou desde os 6 anos aprende a assinar o próprio RG após estudar na EJA

Imagem: Divulgação

A história de Eunice exemplifica a transformação que o acesso à educação pode promover, especialmente para quem viveu longos períodos sem alfabetização formal. Após a conquista de aprender a escrever e assinar o RG, ela mantém a expectativa de estudar mais e, possivelmente, ingressar em um curso superior na área desejada.





Com informações de Clickpetroleoegas