O Brasil tem chance de assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas em 2026, com projeção de embarques que podem chegar a US$ 180 bilhões, ante US$ 177,5 bilhões esperados para os Estados Unidos, se o ritmo atual de vendas ao exterior se mantiver.
A aproximação entre os dois países já havia ficado evidente em 2025: naquele ano, as exportações agrícolas dos EUA somaram US$ 171 bilhões, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o resultado brasileiro considerado no levantamento.
Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o agronegócio brasileiro bateu recorde em 2025, com exportações de US$ 169,2 bilhões, alta de 3% sobre os US$ 164,3 bilhões registrados em 2024. O setor representou 48,5% de todas as vendas brasileiras ao exterior e gerou um superávit comercial de US$ 149,07 bilhões.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento dos volumes: o Mapa informa que o volume exportado pelo agronegócio cresceu 3,6% em 2025, enquanto os preços médios dos produtos tiveram recuo de 0,6%.
China e concentração de mercados
A China é peça-chave na expansão das vendas brasileiras. Apesar de abrigar cerca de um quinto da população global e menos de 10% das terras agricultáveis, o país apresenta um déficit comercial agrícola estimado em US$ 125 bilhões.
A dependência chinesa em algumas commodities é elevada: cerca de 80% da soja consumida pela China é importada, e o Brasil responde por aproximadamente 70% dessas aquisições no mercado internacional. Na carne bovina, cerca de metade das importações chinesas tem origem brasileira.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 58 bilhões, quase 20% acima do mesmo período do ano anterior. O avanço se intensificou a partir de 2018, quando as tensões comerciais entre EUA e China levaram Pequim a diversificar fornecedores e abrir espaço para o Brasil em produtos como soja, café, açúcar e carne bovina, além de aumentar a competição em milho e algodão.
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Produtividade e desafios
A competitividade do país também decorre de ganhos de produtividade obtidos nas últimas décadas, com investimentos em pesquisa, desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima tropical, correção de solos e novas práticas de manejo. Em determinadas regiões, sistemas que combinam soja, milho e algodão com pecuária permitem até três safras por ano na mesma propriedade.
Por outro lado, produtores americanos enfrentam dificuldades: estimativas da American Farm Bureau Federation projetam perdas de até US$ 32 bilhões nas principais culturas dos Estados Unidos em 2026, e as vendas americanas de soja para a China registraram queda de 40%, segundo a reportagem.
Outra diferença relevante é a composição das exportações: nos EUA, produtos industrializados como alimentos processados, bebidas, frutas e vegetais representam 38% das exportações agrícolas, enquanto no Brasil a participação desses itens é de apenas 7%. No país, soja e carnes respondem por cerca de 40% das vendas externas do setor, e a China segue como destino predominante.
Os números ressaltam que, mesmo com a possibilidade de liderar o ranking global em 2026, o Brasil ainda enfrenta o desafio de ampliar a diversificação de mercados e a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações.
Com informações de Portalin

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6