Projeto que nasceu de palmas e vozes de MCs conquistou o público infantil, chegou às escolas e prova que o funk tem lugar em qualquer geração


Começou quase por acaso. Virou fenômeno.

O Coral das Quebradas — formado por seis MCs que apresentam funk usando apenas vozes e palmas das mãos — conquistou milhões de visualizações, chegou às escolas e agora tem até versão infantil: o Coral das Quebradas Kids.

É o funk sendo o funk: maior do que qualquer caixinha que tentaram colocar ele dentro.

Do baile para a escola: Coral das Quebradas leva o funk para as crianças e viraliza com 10 milhões de views
Coral das Quebradas  • KENNEDY RICHELLY – Divulgação GR6

A ideia que ninguém esperava

A história do Coral das Quebradas começa com algo simples: MCs que já produziam vídeos de funk com palmas como forma de apresentar músicas antes dos lançamentos. Era uma estratégia de divulgação. Um formato orgânico. Nada mais.

A virada veio quando MC DR — empresário dos artistas, ator com participações nas séries “Sintonia” e “DNA do Crime” da Netflix e responsável pelo projeto — se inspirou em um vídeo de três crianças cantando músicas de outros gêneros lado a lado.

A conexão foi imediata.

“Veio essa ideia de gravar nesse mesmo formato de ombro com ombro, só que do nosso jeito, na nossa raiz, que é batendo palma da mão e cantando funk.”

O primeiro vídeo foi feito com uma música do MC Colin, integrante do coral. O resultado? 10 milhões de visualizações e 1 milhão de curtidas no TikTok — pouco tempo após a publicação.

Nenhum investimento em mídia paga. Só autenticidade, talento e um formato que o público abraçou de imediato.


Do funk para o Castelo Rá-Tim-Bum

A repercussão abriu uma porta que ninguém havia imaginado: o universo infantil.

A TV Cultura propôs ao grupo um desafio envolvendo “Lava uma mão, lava a outra” — música conhecida pelo público do programa Castelo Rá-Tim-Bum. O Coral das Quebradas aceitou e publicou uma versão com as tradicionais palmas do funk.

Para MC DR, o convite teve um significado pessoal:

“Eu mesmo já acompanhei muito, assisti muito Castelo Rá-Tim-Bum. Então, quando eles fizeram esse convite para mim, eu fiquei, tipo, sem acreditar.”

A resposta do público confirmou o que o grupo já suspeitava: havia espaço — e demanda real — para uma vertente infantil do projeto. A partir daí, nasceu o Coral das Quebradas Kids, com releituras de músicas conhecidas pelas crianças no formato que já havia viralizado.


O funk que foi para a escola — sem cobrar nada

A história que talvez diga mais sobre o projeto não está nos números. Está numa decisão simples que o grupo tomou por conta própria.

Na semana anterior à entrevista à CNN Brasil, os integrantes do Coral das Quebradas foram a duas escolas fazer apresentações. Sem cachê. Sem convite formal. Por iniciativa própria.

MC DR foi direto sobre o motivo:

“Não foi pago. Nós que decidimos fazer mesmo pelo fato das crianças terem abraçado o nosso projeto.”

Essa é a diferença entre um projeto que quer crescer e um projeto que quer contribuir. O Coral das Quebradas escolheu os dois — e as crianças que viram o show naquelas escolas agora têm uma relação diferente com o funk.


O que o Coral das Quebradas prova sobre o funk

O funk sempre foi da rua. Sempre foi do baile. Sempre foi da periferia.

E sempre foi também da família, da infância, da comunidade — mesmo quando o mundo de fora não enxergava isso.

O Coral das Quebradas não inventou nada novo. Ele só mostrou, com clareza e com 10 milhões de visualizações, o que quem cresceu ouvindo funk já sabia: esse gênero tem linguagem universal. Ele atravessa gerações, atravessa espaços, atravessa preconceitos.

Do TikTok para a TV Cultura. Do baile para a sala de aula. Das palmas para os ouvidos de crianças que agora crescem sabendo que o funk também é delas.

Novas colaborações estão por vir. E o Coral das Quebradas está apenas começando.


Acompanhe o Coral das Quebradas nas redes sociais e fique de olho nos próximos lançamentos.