A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para 17 de janeiro, traz riscos expressivos à indústria de transformação brasileira, segundo avaliação de José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O dirigente aponta que, sem ajustes estruturais, a abertura de mercado favorecerá concorrentes europeus e pode comprometer a competitividade local.
Na visão de Velloso, o pacto tende a beneficiar o consumidor final e o agronegócio nacional, reduzindo preços e ampliando o acesso a mercados, mas expõe lacunas que tornam a produção interna mais cara. “Se, por um lado, é bom para o consumidor e para o agro, esse acordo representa um risco para a indústria de transformação”, afirmou.
Para reverter esse cenário e aproveitar as novas oportunidades comerciais, o executivo destaca a necessidade de reformar pontos críticos do ambiente de negócios no Brasil. Entre os entraves, ele cita a elevada carga tributária, as taxas de juros elevadas e questões macroeconômicas que encarecem o custo de produção.
“O país precisa enfrentar essas deficiências para transformar o risco em oportunidade. Só assim todos os setores poderão aproveitar melhor o mercado europeu”, completou Velloso.
Reações de outros setores ao pacto Mercosul-UE
Além da indústria de transformação, o agronegócio brasileiro também expressa preocupações em relação ao acordo. Produtores rurais alertam que a União Europeia poderá suspender benefícios tarifários caso entenda que setores locais sejam prejudicados. Carnes bovina e de frango, por exemplo, terão cotas de exportação limitadas.
Na Câmara dos Deputados, o presidente da Comissão de Agricultura, Rodolfo Nogueira (PL-MS), criticou o processo de negociação. Segundo ele, depois de anos de tratativas, a promessa de estabelecimento de um livre mercado entre os blocos não se concretizou como esperado.
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Do lado europeu, agricultores, especialmente na França, também se manifestaram contrários ao acordo. Em protesto, produtores bloquearam o acesso de mercadorias ao Porto de Le Havre, no noroeste francês, pressionando por garantias de proteção ao setor local.
O desfecho das manifestações e as definições finais do tratado determinarão o grau de impacto sobre a indústria de transformação e outras cadeias produtivas brasileiras, conforme acompanham autoridades e entidades representativas.
Com informações de Revistaoeste

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6