Pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, identificaram alterações em células dos vasos sanguíneos do cérebro após exposição ao eritritol, um adoçante amplamente usado pela população e pela indústria alimentícia. O trabalho foi publicado no Journal of Applied Physiology em 2026.

Estudo em células endoteliais revela mudanças em mecanismos vasculares

A equipe analisou células endoteliais cerebrais cultivadas em laboratório e observou alterações que podem comprometer a função dos vasos. Entre os achados, os cientistas registraram redução na produção de óxido nítrico, molécula responsável pelo relaxamento e dilatação dos vasos, e aumento nos níveis de endotelina 1, proteína relacionada ao estreitamento vascular.

Além disso, o contato com o composto diminuiu a liberação estimulada do ativador de plasminogênio tecidual (tPA), substância envolvida na dissolução de coágulos, e elevou a quantidade de espécies reativas de oxigênio, que em excesso podem provocar danos celulares. Esses efeitos, segundo os autores, combinados, tendem a criar um cenário no qual o fluxo sanguíneo fica prejudicado e a capacidade de eliminar coágulos é reduzida.

Os resultados ajudam a contextualizar estudos anteriores que associaram concentrações mais altas de eritritol no sangue a maior incidência de eventos cardiovasculares, incluindo acidente vascular cerebral isquêmico. Os autores salientam, porém, que ainda são necessárias pesquisas em seres humanos para confirmar os efeitos observados in vitro.

A fisiologista Auburn Berry, integrante da pesquisa, avaliou que mudanças que deixam os vasos mais contraídos e reduzem a capacidade de remoção de coágulos podem aumentar o risco de derrames. O fisiologista Christopher DeSouza, também participante do estudo, afirmou que os achados reforçam a necessidade de examinar o consumo de adoçantes não nutritivos com mais cautela.

Adoçante eritritol pode alterar proteção cerebral e aumentar risco de AVC, aponta estudo

Imagem: Divulgação

O estudo focou nos mecanismos relacionados a AVC isquêmico — quando um coágulo interrompe o fornecimento de sangue ao cérebro — e não investigou diretamente outros problemas cardiovasculares, embora os autores considerem possível que efeitos semelhantes ocorram em vasos de outras partes do corpo.

Os cientistas lembram que a pesquisa foi realizada em células isoladas, com condições laboratoriais que podem diferir da forma como o organismo humano absorve e processa o eritritol. Também destacam que o próprio corpo produz essa substância, de modo que níveis elevados no sangue podem não refletir apenas a ingestão por alimentos e bebidas. Estudos anteriores apresentam resultados contraditórios sobre efeitos do eritritol na saúde vascular, e novos trabalhos são necessários para esclarecer o tema.

Com informações de Olhardigital