A Meta obteve um alívio em uma disputa judicial que a colocava no centro de acusações sobre recursos supostamente viciantes em suas plataformas. Um adolescente de 15 anos da Flórida retirou, na quarta-feira (22 de julho de 2026), a ação judicial que movia contra a empresa, na qual afirmava que a companhia havia criado funcionalidades prejudiciais e dependentes.

A desistência representa uma vitória temporária para a Meta diante de milhares de processos semelhantes movidos por adolescentes, distritos escolares e procuradores-gerais estaduais nos Estados Unidos. O caso do jovem era o segundo entre nove ações selecionadas como estratégicas por um juiz da Corte Superior da Califórnia entre milhares de processos parecidos.

Acordos com outras plataformas

Antes de retirar a ação contra a Meta, o adolescente, identificado pelas iniciais R.K.C., havia firmado acordos com TikTok, Snap e YouTube. Segundo a advogada Emily Jeffcott, que representa o jovem, a decisão de abandonar o processo contra a Meta decorreu da satisfação com os acordos já celebrados e do receio de enfrentar o desgaste de um julgamento longo.

“O processo foi retirado porque ele ficou satisfeito com os acordos e tinha preocupações em ‘suportar um julgamento exaustivo de várias semanas’”, afirmou a advogada, acrescentando: “Estamos orgulhosos do que este caso ajudou a alcançar.”

O julgamento contra a Meta estava previsto para começar na semana seguinte na Corte Superior da Califórnia, no condado de Los Angeles.

Contexto de decisões judiciais e números

A retirada do processo ocorre após decisões recentes que ampliaram o foco contra plataformas de tecnologia. Em março, um júri na Califórnia considerou a Meta e o YouTube responsáveis por negligência e danos pessoais em um caso movido por uma mulher hoje com 20 anos, determinando o pagamento de US$ 6 milhões (R$ 30,4 milhões) em indenização. Esse veredito fortaleceu a tese jurídica de que sites e aplicativos de redes sociais podem causar danos pessoais aos usuários.

Além disso, no Novo México, o procurador-geral Raúl Torrez obteve uma sentença que fixou US$ 375 milhões (R$ 1,9 bilhão) em indenizações compensatórias contra a Meta por violação de leis de proteção ao consumidor e por expor crianças a riscos.

Imagem: Divulgação

Em documentos apresentados à Justiça, a Meta informou que quatro estados estão pleiteando US$ 1,4 trilhão (R$ 7 trilhões) em penalidades em um julgamento marcado para agosto, em Oakland, na Califórnia — valor próximo à capitalização de mercado da empresa, estimada em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,6 trilhões).

As ações alegam que mecanismos como a rolagem infinita incentivam uso compulsivo e acarretam impactos graves na saúde mental de usuários. Durante os processos, vieram à tona e-mails e documentos internos que, segundo as ações, indicam que executivos — entre eles Mark Zuckerberg — teriam ignorado alertas sobre recursos potencialmente prejudiciais a crianças.

O aumento das ações jurídicas também elevated the scrutiny sobre medidas de proteção infantil nas plataformas. O Congresso dos Estados Unidos discute o projeto Kids Online Safety Act, que prevê mudanças obrigatórias no design das redes para limitar mecanismos que incentivem o uso compulsivo, e executivos de empresas de tecnologia devem depor ainda este ano em audiência dedicada à segurança de crianças e adolescentes nas redes sociais.

A Meta declarou que as alegações não se sustentaram e afirmou que não deixará de se defender contra processos considerados sem fundamento.

Com informações de Olhardigital