Voos continuam a decolar e pousar em Dubai mesmo após explosão causada por drone iraniano
Minutos antes de um drone iraniano atingir um tanque de combustível e provocar uma explosão sobre o Aeroporto Internacional de Dubai, um avião da Emirates com destino a Pequim havia acabado de decolar. A explosão, ocorrida nas primeiras horas de segunda-feira, forçou duas aeronaves em aproximação a desviarem e entrarem em órbita de espera; outros 12 voos decolaram nos 30 minutos anteriores ao ataque. Ao meio-dia do mesmo dia, as operações no aeroporto já haviam sido normalizadas.
O episódio ilustra os riscos enfrentados pela aviação comercial na região, onde companhias aéreas têm restabelecido centenas de voos diariamente apesar de ataques com drones e mísseis. Pilotos, especialistas em segurança e executivos do setor expressam preocupação com a possibilidade de um jato ser atingido por projéteis hostis ou confundido com um alvo por sistemas de defesa aérea.
Kourosh Doustshenas, cuja companheira morreu entre as 176 vítimas quando o Irã derrubou acidentalmente um avião de passageiros em janeiro de 2020, questionou por que rotas potencialmente atingidas por mísseis continuam a ser utilizadas.
Uma análise do Wall Street Journal com base em mais de 8.700 voos e comunicados oficiais entre o início da guerra e 20 de março aponta que, somente no Aeroporto Internacional de Dubai, pelo menos 39 aeronaves pousaram ou decolaram num intervalo de até cinco minutos antes ou depois de alertas nacionais sobre ataques iminentes. No aeroporto de Abu Dhabi foram identificados seis casos na mesma janela; em Sharjah, 12 registros. Ampliando o intervalo para 10 minutos, o total nos três aeroportos sobe para 130 voos.
Esses números não incluem aviões em aproximação que precisaram desviar nem ataques que não geraram alertas oficiais — entre eles o ataque que atingiu o tanque de combustível em 16 de março. Desde o início do conflito, nenhum avião comercial foi abatido, mas ao menos cinco aeronaves estacionadas em aeroportos sofreram danos por ataques ligados ao Irã. Duas delas, um A380 da Emirates e um A321 da Saudia, foram atingidas em Dubai no começo do conflito. Outras três aeronaves privadas foram danificadas por destroços de mísseis balísticos interceptados sobre o aeroporto Ben Gurion, em Israel, incidente confirmado por Israel, que em seguida reduziu voos e limitou passageiros em algumas partidas.
A Osprey Flight Solutions, empresa de segurança da aviação, afirma que mais do que o dobro de drones e mísseis foram lançados contra o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos em comparação a qualquer outro país da região. Segundo a Osprey, os Emirados têm, no máximo, dois minutos para reagir a um míssil balístico vindo do Irã e cerca de 15 minutos no caso de um drone.
Apesar do cenário, as companhias dos Emirados vêm restaurando rapidamente suas malhas. Nas últimas duas semanas, a Emirates operou cerca de 300 voos por dia, o que corresponde a aproximadamente 60% de sua capacidade antes da guerra. Somadas Etihad, Flydubai e AirArabia, as empresas dos Emirados realizaram mais de 11 mil voos desde o início do conflito, segundo dados do Flightradar24.
A aviação é pilar da economia dos Emirados e a Emirates, a maior transportadora internacional do mundo, transformou Dubai em um importante hub global ao longo de 40 anos. Para reduzir riscos, as autoridades definiram corredores aéreos específicos, treinaram controladores de tráfego para desvios rápidos e mobilizaram caças para proteger aviões comerciais de drones em aproximação, segundo fontes familiarizadas com a estratégia.
Representantes das empresas afirmam manter a segurança como prioridade e contato permanente com governos e agências de inteligência. “Não operamos nenhum voo sem que ele tenha sido integralmente avaliado e aprovado como seguro”, declarou uma porta-voz da Etihad, citando “forte supervisão regulatória e disciplina operacional”. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não respondeu aos pedidos de comentário.
Imagem: Getty Images
A Osprey mantém um alerta de “risco extremo” — seu nível máximo — para grande parte do espaço aéreo ativo no Golfo, incluindo os Emirados, áreas da Arábia Saudita e Israel, a mesma classificação aplicada à Ucrânia e ao oeste da Rússia, onde no fim de 2024 um avião de passageiros do Azerbaijão foi abatido acidentalmente. Matt Borie, diretor de inteligência da Osprey, advertiu que, mesmo com planos de contingência, aeronaves, passageiros e tripulação continuam expostos a um evento potencialmente catastrófico.
Após o ataque de 16 de março, as autoridades de Dubai procuraram tranquilizar o público, afirmando que chegadas e partidas são seguras. Paul Griffiths, CEO da Dubai Airports, disse à CNN que a capacidade de detectar e responder a ameaças tem sido “muito, muito eficaz e eficiente” e que mais de 1 milhão de passageiros passaram pelos aeroportos de Dubai desde o início do conflito.
Enquanto isso, muitas companhias estrangeiras suspenderam voos pelo Oriente Médio. Delta Air Lines, British Airways e Cathay Pacific estão entre as transportadoras que estenderam cancelamentos por meses. A ausência de um padrão internacional que defina critérios de segurança para voar em zonas de conflito deixa a decisão a cargo das próprias empresas, com base em inteligência governamental, orientações regulatórias e consultorias privadas, segundo especialistas como Mario Brito, professor da Universidade de Southampton.
A retomada das operações também gerou tensão com tripulações. Pilotos relataram preocupação crescente e alguns ativaram cláusulas que permitem recusar voos por receio; outros recorreram a atestados médicos. Um áudio que circulou entre aviadores descreve um piloto impedido de pousar em vários aeroportos no primeiro dia da guerra, que conseguiu aterrissar apenas com 30 minutos de combustível restante. Paul Reuter, vice-presidente da Associação Europeia de Cockpit, afirmou haver “preocupações substanciais” sobre a segurança.
Desde o abatimento do voo PS752 em 2020, familiares das vítimas pressionam a Organização da Aviação Civil Internacional por normas que restrinjam voos em áreas de conflito, mas essas regras ainda não foram implementadas. Em 2024, um juiz canadense considerou uma companhia aérea responsável pela tragédia, embora o míssil tenha sido disparado por forças iranianas. Kourosh Doustshenas, que perdeu sua noiva Forough Khadem naquele incidente, relatou que no dia do embarque trocaram mensagens sobre um ataque recente a uma base americana no Iraque e sobre a segurança do voo; ele disse a ela que, se a companhia operasse, deveria ser seguro. “Nunca vou me perdoar”, afirmou.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6