A técnica aproveita vento e umidade para obter água em área afetada pelo avanço do deserto

Comunidades da região de Aït Baâmrane, no sudoeste de Marrocos, estão coletando água diretamente da neblina que chega do Atlântico por meio de grandes redes de polímero instaladas nas encostas do Monte Boutmezguida, a mais de 1.200 metros de altitude.

O sistema, que não exige bombas nem fornecimento elétrico, funciona com base em um processo físico simples: as gotículas de umidade presentes na neblina ficam retidas na malha das redes, se condensam e descem por gravidade. Esse método permite a extração de água sem a necessidade de perfurar o solo.

As redes atuam como superfícies de captação, interceptando a umidade transportada pelo vento proveniente do oceano. Ao condensarem, as pequenas gotas se agregam e seguem em direção aos pontos de recolhimento por efeito da gravidade, proporcionando às aldeias acesso a água em uma região marcada pelo avanço do deserto.

As iniciativas nas encostas do Monte Boutmezguida mostram uma alternativa de baixa tecnologia para regiões áridas ou em processo de desertificação, ao combinar materiais sintéticos (polímeros) com fatores climáticos locais — vento e umidade atlântica — para gerar água potável a partir da atmosfera, sem infraestrutura elétrica ou perfurações no subsolo.

Essa forma de captação tem sido adotada por comunidades locais como solução direta para a escassez hídrica, aproveitando condições naturais específicas da área, como altitude e presença de neblina marítima, para tornar possível a retirada de água do ar.

Imagem: Ap

O uso de redes de polímero nas encostas de Boutmezguida representa uma aplicação prática e comunitária de tecnologia simples voltada à mitigação dos efeitos da seca e da expansão do deserto na região sudoeste de Marrocos.





Com informações de Clickpetroleoegas