American Airlines declarou que não está envolvida nem tem interesse em uma fusão com a United Airlines, afirmando em comunicado que qualquer união entre as duas companhias seria “negativa para a concorrência e para os consumidores”.

A possibilidade de uma combinação entre as líderes do setor ganhou atenção após reportagens da Bloomberg apontarem que o CEO da United, Scott Kirby, teria levado a ideia diretamente ao então presidente Donald Trump em 25 de fevereiro, durante uma reunião inicialmente dedicada a temas de infraestrutura aeroportuária. Fontes indicaram que o assunto foi mencionado a integrantes do alto escalão do governo, mas não houve confirmação de negociações formais.

No mercado financeiro, as notícias afetaram o comportamento das ações: na abertura do pregão, os papéis da American chegaram a subir 7,6%, enquanto as ações da United avançaram 1,5%. Em Nova York, contudo, a American encerrou o after-hours com queda de 1,4%.

United e American figuram hoje entre as quatro maiores aéreas dos Estados Unidos e, juntas, detêm mais de um terço do mercado doméstico. Uma eventual fusão resultaria em uma companhia com receita superior a US$ 100 bilhões e uma frota acima de 2.800 aeronaves, cenário que já suscita intenso debate regulatório.

Críticos alertam para riscos de aumento de tarifas e diminuição da concorrência. Autoridades antitruste afirmam que qualquer operação dessa magnitude exigiria revisão rigorosa e possivelmente a venda de ativos para evitar concentração excessiva no setor.

Presença no Brasil

Enquanto descarta publicamente a fusão nos Estados Unidos, American e United aprofundam sua presença no mercado brasileiro por meio de investimentos na Azul. A United já era acionista da companhia brasileira e ampliou sua participação com um aporte de US$ 100 milhões — operação aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Imagem: Yuki Iwamura/Bloomberg

A American negocia igualmente um investimento de US$ 100 milhões para ingressar no quadro acionário da Azul; essa operação ainda está sob análise do órgão antitruste brasileiro. Além disso, a American mantém no Brasil uma parceria comercial com a Gol, reforçando sua atuação indireta no país.

O movimento ocorre em meio a um momento de pressão sobre o setor aéreo global, marcado por custos mais altos, como combustíveis, e reestruturações estratégicas das grandes empresas. Para a United, a ampliação de participação no Brasil integra uma estratégia de fortalecimento de rotas internacionais e maior presença em mercados emergentes.





Apesar do interesse em expandir participação no mercado brasileiro, qualquer tentativa de consolidação entre gigantes nos EUA continuaria sujeita a forte resistência regulatória e política, dada a possível influência sobre preços e concorrência no setor aéreo.

Com informações de Investnews