Usuários nas redes sociais têm adotado a prática conhecida como “friction-maxxing”, que consiste em inserir obstáculos intencionais no dia a dia para reduzir distrações e recuperar a concentração. A estratégia ganhou visibilidade por relatos de pessoas que passaram a preferir alternativas mais trabalhosas em tarefas rotineiras, buscando maior sensação de realização.
O que é e como funciona
Em vez de optar sempre pelo caminho mais rápido, participantes da tendência trocam facilidades tecnológicas por métodos analógicos ou mais demorados. Exemplos citados incluem escrever à mão antes de digitar, cozinhar em casa no lugar de pedir refeições prontas e usar mapas físicos em vez de aplicativos de navegação. A intenção declarada é diminuir a oferta constante de estímulos digitais e forçar um envolvimento mental maior com as tarefas.
Contexto e motivo
A ideia surge em meio a preocupações sobre os efeitos da hiperconectividade. Um artigo da BBC citado na cobertura aponta que notificações frequentes, consumo rápido de conteúdo e multitarefa fragmentaram a atenção das pessoas. Segundo a reportagem, ao longo das últimas duas décadas o tempo médio de concentração em atividades digitais caiu de minutos para poucos segundos em muitos ambientes de trabalho.
Relação com o “maxxing”
O fenômeno está ligado ao conceito mais amplo de “maxxing”, termo que descreve tentativas de maximizar aspectos da vida — originalmente ligado à aparência com o “looksmaxxing” — e que se expandiu para produtividade e estilo de vida. O “friction-maxxing” aparece como reação a esse impulso por otimização extrema, propondo escolhas mais conscientes, ainda que mais lentas e exigentes, conforme observações publicadas pela Fast Company Brasil.
Efeitos percebidos e evidências
Defensores da prática contrastam a gratificação imediata oferecida pela tecnologia com a satisfação mais duradoura associada a atividades que exigem esforço. Experimentos citados sugerem que o esforço pode influenciar a percepção de valor de um resultado. Especialistas mencionam o princípio do “usar ou perder”: tarefas que demandam atenção contínua, aprendizado e resolução de problemas ajudam a manter funções cognitivas, enquanto a sobrecarga digital tende a causar fadiga mental, aumentar erros e prolongar a conclusão de atividades.
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Limites e alternativas
Pesquisas sobre pausas no uso de tecnologia apresentam resultados variados; em alguns estudos houve melhora no humor e na concentração, em outros os efeitos foram pequenos ou inexistentes. Isso indica que a eficácia do “friction-maxxing” pode depender do contexto e do perfil de cada pessoa. Mesmo sem consenso científico, práticas analógicas como leitura, jardinagem, jogos e trabalhos manuais têm sido associadas à redução do estresse e a maior satisfação com a vida. A tendência, portanto, busca reequilibrar a relação com a tecnologia: não eliminá-la, mas utilizá-la com mais consciência e abrir espaço para experiências que demandam maior esforço e profundidade.
O texto sobre a tendência, escrito por Joyce Canelle, foi publicado originalmente na Fast Company Brasil.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6