Em janeiro de 2026, um aplicativo batizado originalmente de Sileme (“Você Morreu?”, em tradução livre) tornou-se o mais baixado na App Store chinesa ao oferecer um recurso de segurança para pessoas que vivem sozinhas. Desenvolvido por uma equipe de três programadores, o software exige que o usuário pressione um botão diariamente para confirmar que está bem. Caso contrário, envia automaticamente alertas a contatos de emergência cadastrados.

Como funciona o aplicativo

O funcionamento é simples: na tela principal, há um único botão que precisa ser acionado em intervalos pré-definidos. Se o usuário não interagir com o app por dois dias consecutivos, o sistema encaminha notificações por e-mail ou mensagem a amigos ou familiares indicados. Segundo os criadores, o público-alvo inclui estudantes, profissionais e solteiros que mantêm rotina de pouco convívio social, os chamados “solo dwellers”.

O serviço surge em um contexto de crescente solidão urbana na China, que projeta atingir 200 milhões de lares de uma só pessoa até 2030. O temor de incidentes de saúde não detectados dentro de apartamentos pressiona pela adoção de soluções digitais que atuem como rede de segurança.

Mudança de nome e futuro da plataforma

Após alcançar rapidamente o topo das paradas de download, a startup alterou o nome para Demumu, estratégia para suavizar a marca em mercados internacionais e reduzir o impacto da referência direta à morte. O modelo de monetização passou de aquisição única para assinatura mensal de 8 yuan (cerca de R$ 6), valor considerado necessário para suportar os custos de servidores e atendimento técnico diante do alto volume de usuários.

Os desenvolvedores também preveem incorporar inteligência artificial ao sistema, a fim de monitorar padrões de comportamento dos usuários. Caso algum desvio seja detectado, a IA poderá antecipar o envio de alertas, sem depender exclusivamente da falta de interação com o botão.

Imagem: Divulgação

Stuart Gietel-Basten, professor de ciências sociais e políticas públicas na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, ressalta em entrevista à CNN que o aplicativo preenche uma lacuna emocional, mas não substitui a interação social presencial. Ele classifica o fenômeno como parte da “economia da solidão”, na qual ferramentas digitais tentam compensar a ausência de suporte comunitário.

Com informações de Olhardigital