Na última sexta-feira (10), a Apple entrou com um processo de 41 páginas contra a OpenAI, acusando a empresa de liderar um esquema coordenado para obter segredos comerciais da fabricante do iPhone por meio da contratação de funcionários e ex-funcionários da companhia.
Quem e o que a ação cita
O documento da Apple nomeia três pessoas no centro da ação: Tang Tan, ex-vice-presidente do Apple Watch que trabalhou na Apple por 24 anos; Chang Liu, engenheiro de sistemas elétricos do iPhone com mais de oito anos na empresa; e Yu‑Ting “Alyssa” Peng, também ex-funcionária. Liu e Peng teriam deixado a Apple para ingressar na OpenAI em 2026.
Acusações principais
A Apple alega que a OpenAI incentivou recrutamentos destinados a extrair informações proprietárias, orientou empregados a contornar processos internos de segurança e usou materiais confidenciais para apoiar o desenvolvimento de um dispositivo de hardware baseado em inteligência artificial, com lançamento previsto para o próximo ano. No processo, a fabricante afirma que o comportamento não foi isolado e teria sido normalizado por práticas adotadas na OpenAI.
Detalhes sobre acesso e retenção de equipamentos
Segundo a ação, após anunciar sua saída, Chang Liu deixou de responder a solicitações para assinar lembretes de confidencialidade, participar de entrevista de desligamento e confirmar a devolução de equipamentos corporativos. A Apple afirma que ele reteve ao menos um computador da empresa e, em mensagens, mencionou ter “outro computador”.
Acesso remoto e downloads de arquivos
A Apple sustenta que, semanas após sair, Liu explorou uma falha de autenticação para reentrar em um sistema de armazenamento em nuvem da empresa e baixar dezenas de arquivos confidenciais. Entre os materiais citados estão especificações técnicas, documentos sobre produtos ainda não anunciados e apresentações de engenharia, incluindo detalhes sobre fabricação e testes das placas lógicas principais.
Interação entre ex-funcionários
O processo afirma que Peng continuou a fornecer a Liu informações internas sobre projetos, engenharia e fornecedores mesmo depois da saída dele. A Apple diz que Liu orientou Peng sobre como acessar e copiar arquivos dos computadores da empresa para “evitar problemas com a equipe de segurança”, apontando pastas específicas contendo dados proprietários. Peng teria ingressado na OpenAI em abril de 2026.
Uso de entrevistas para obter informações
A ação também acusa Tang Tan de usar entrevistas de emprego para extrair detalhes sobre projetos confidenciais da Apple. A Apple descreve casos em que candidatos foram instruídos a levar componentes físicos — como baterias, módulos System‑in‑Package, placas lógicas principais e blindagens metálicas — além de artefatos de CAD, protótipos e apresentações técnicas com informações sensíveis, para demonstrar em entrevistas.
Imagem: Ap
Orientações para burlar protocolos de desligamento
De acordo com o processo, a OpenAI teria orientado funcionários em processo de saída sobre como evitar verificações de segurança internas, incluindo instruções para não revelar o novo empregador, evitar o chamado “dreaded walkout” (retirada imediata) e não assinar documentos durante entrevistas de desligamento sem antes avisar a OpenAI. A Apple afirma ter observado um aumento de ex-funcionários que ignoram contatos da equipe de segurança ao deixar a empresa rumo à OpenAI.
Contatos com fornecedores e uso de informações internas
A Apple acusa ainda a OpenAI de buscar acesso a uma técnica proprietária de acabamento metálico por meio de um fornecedor confiável e de abordar outro parceiro ligado a componentes de energia e baterias usando informações confidenciais e codinomes internos, segundo a ação. A fabricante afirma que não autorizou a OpenAI ou a io a utilizar seus segredos comerciais.
Escala e tentativas de resolução
O processo menciona que mais de 400 ex-funcionários da Apple trabalham atualmente na OpenAI e afirma que, embora muitos possuam conhecimento de informações proprietárias, a OpenAI teria explorado deliberadamente esse conhecimento. A Apple diz que tentou abordar o assunto com a OpenAI em fevereiro, sem obter resposta.
Em nota divulgada por seu porta-voz Drew Pusateri, a OpenAI declarou: “Não temos interesse nos segredos comerciais de outras empresas. Continuamos focados em desenvolver tecnologia inovadora que capacite pessoas em todos os lugares”.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6