Empresas do setor financeiro estão substituindo sistemas centralizados por ecossistemas digitais modulares, compostos por aplicações especializadas conectadas por APIs que permitem o compartilhamento de informações em tempo real. A estratégia amplia a flexibilidade para integrar novas soluções, evoluir serviços e atender perfis distintos de usuários sem interromper a operação.

O movimento, comum entre empresas de tecnologia, plataformas digitais, bancos e fintechs, avança agora para áreas mais complexas, como o mercado de capitais, onde uma única operação pode envolver gestores, administradores fiduciários, investidores, consultorias e fornecedores de tecnologia usando a mesma infraestrutura.

Do monólito à modularidade

Historicamente, sistemas monolíticos concentravam quase todas as funções em uma única plataforma. Com o aumento das operações e a necessidade de integrar serviços diversos, esse modelo passou a trazer limitações. A evolução da computação em nuvem, da interoperabilidade e das APIs possibilitou distribuir funcionalidades entre aplicações especializadas, criando ambientes com experiências adaptadas a diferentes usuários e reduzindo retrabalhos.

Consultorias internacionais indicam que personalização da experiência digital e integração entre plataformas estão entre as principais prioridades de empresas que investem em transformação digital.

Exemplo prático: a estrutura da ID CTVM

A ID CTVM adotou uma arquitetura modular ao construir um ecossistema digital formado por plataformas independentes, mas conectadas por uma infraestrutura única. O objetivo foi oferecer ambientes específicos para cada tipo de usuário, mantendo a operação integrada e sincronizada.

Segundo Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM, a identificação das necessidades distintas dos participantes do mercado foi essencial para projetar a estrutura. Em vez de desenvolver sistemas isolados, a empresa organizou um ambiente em que cada usuário encontra as funcionalidades necessárias, com todas as informações interligadas.

No modelo da ID CTVM, as APIs atuam como pilar central, permitindo a comunicação segura entre sistemas, facilitando integrações com parceiros, automatizando processos e reduzindo complexidade operacional. Entre as plataformas que compõem o ecossistema estão o Portal do Consultor, voltado ao acompanhamento operacional de consultorias e gestoras; o Cadastro do Investidor, que digitaliza o onboarding; e o Portal do Gestor, com dados para monitoramento dos fundos.

Imagem: Divulgação

Para operações estruturadas, há o Portal IDSF, que automatiza o onboarding de cedentes; o Portal do Desenvolvedor, que disponibiliza APIs para integrações; além do Portal Nota Comercial e do Portal de Cobranças, destinados à digitalização de processos específicos. Apesar das funcionalidades próprias, todas as plataformas compartilham a mesma infraestrutura tecnológica, o que permite sincronização de dados e evolução contínua sem comprometer o funcionamento geral.





Estratégia além da tendência

Com a crescente complexidade das operações e a necessidade de troca constante de informações, arquiteturas modulares deixam de ser apenas uma opção tecnológica para se tornar uma escolha estratégica. Ao combinar plataformas especializadas, integração por APIs e compartilhamento inteligente de dados, empresas conseguem acelerar processos, melhorar a experiência dos usuários e criar estruturas preparadas para o avanço do mercado.

A iniciativa da ID CTVM ilustra como práticas consolidadas entre empresas de tecnologia começam a reformular a infraestrutura do mercado financeiro, aproximando inovação, escalabilidade e eficiência operacional em um único ecossistema digital.

Com informações de Tecmundo