Os integrantes da missão Artemis 2, da NASA, serão submetidos a monitoramento contínuo e a procedimentos específicos para minimizar a exposição à radiação espacial ao deixar a proteção da atmosfera e do campo magnético da Terra. Fora da magnetosfera, a tripulação ficará exposta a partículas energéticas do espaço profundo, exigindo ações preventivas durante a ida e volta à Lua.

Artemis 2 orbitará a Lua por dez dias

A missão levará os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Canadian Space Agency, em uma viagem de aproximadamente dez dias ao redor da Lua e retorno à Terra. O lançamento está previsto para ocorrer nesta quarta-feira (1).

Trata-se da segunda missão tripulada do programa Artemis; a primeira, Artemis 1, foi finalizada com sucesso no fim de 2022, quando a cápsula Orion não tripulada permaneceu por mais de 25 dias no espaço e percorreu cerca de 2,25 milhões de quilômetros, gerando dados sobre o ambiente de espaço profundo e o desempenho do veículo.

Durante o trajeto, os quatro tripulantes ficarão atentos a detectores de radiação e a alertas sonoros de risco, além de utilizar dosímetros ativos capazes de medir exposição a raios X e raios gama. Seis sensores do tipo Hybrid Electronic Radiation Assessors (HERA) serão distribuídos em pontos distintos da cápsula para monitorar a dose recebida.

A cápsula Orion possui proteção contra radiação mais elevada do que uma nave comum, mas, em caso de eventos fortes, como tempestades solares, a equipe deverá adotar medidas adicionais para reduzir a exposição. Uma das estratégias previstas é a montagem de um abrigo improvisado dentro da nave, obtido pela reorganização de itens armazenados nos compartimentos centrais para concentrar massa entre os ocupantes e a fonte de radiação.

Dados obtidos na Artemis 1 mostraram que a Orion oferece boa proteção por ser compacta e densa, e que pontos específicos do veículo funcionam como abrigo em eventos de radiação, segundo Stuart George, responsável pela instrumentação de radiação do Space Radiation Analysis Group (SRAG), no Centro Espacial Johnson, em Houston.

Imagem: Astronautas da missão Artemis 2 – Kim Shiflett/NASA

Além dos HERA e dos dosímetros individuais, a NASA estabelecerá limites de exposição que acionam protocolos de segurança. Se os níveis permanecerem elevados, os astronautas poderão se deslocar para áreas mais protegidas — embora apertadas — da cápsula, como alguns compartimentos de armazenamento e locais próximos ao banheiro, que oferecem blindagem adicional.

Em testes da Artemis 1, sensores instalados em um manequim e em modelos de torso humano indicaram que órgãos internos podem receber doses significativamente menores do que a pele durante eventos de clima espacial. Para a Artemis 2, a agência também contará com uma nova versão do sensor alemão M-42 — o modelo M-42 EXT — fornecido pela DLR, com capacidade de resolução seis vezes maior para diferenciar tipos de energia em comparação com a versão anterior.

A operação de monitoramento e os procedimentos de abrigo visam reduzir os riscos à saúde da tripulação ao longo da missão e integrar resultados para futuras expedições lunares.

Com informações de Olhardigital