Um ataque cibernético de grande escala atingiu o ecossistema da plataforma npm, usado por desenvolvedores para compartilhar e baixar bibliotecas de código. Os invasores obtiveram acesso à conta de um mantenedor — responsável por atualizar oficialmente um projeto — e publicaram versões maliciosas que se propagaram automaticamente entre os pacotes.

Mais de 400 pacotes foram afetados, totalizando acima de dois bilhões de instalações por mês em nível global. A infecção foi realizada por meio de comandos ocultos inseridos nos próprios pacotes: ao serem baixados, esses comandos acionavam o download de um software externo que executava código encoberto nos sistemas dos desenvolvedores.

Como funcionou o ataque

O programa baixado pelos pacotes comprometidos realizava varreduras nos computadores infectados em busca de credenciais, chaves de provedores de nuvem, códigos de segurança de servidores e informações relacionadas a ferramentas de desenvolvimento. Além de coletar segredos, o malware tinha capacidade de se espalhar autonomamente para outros projetos sem nova intervenção humana.

Relatórios e descobertas

Pesquisas de segurança conduzidas por empresas como Aikido, Wiz e Socket identificaram comportamento avançado de disseminação autônoma. A equipe da Socket descreveu que o script malicioso empregava um mecanismo de instalação capaz de baixar um ambiente isolado, reunir dados confidenciais de forma silenciosa e, em seguida, propagar a infecção para outros pacotes.

O estudo do grupo Wiz indicou que os alvos de extração foram ampliados em cerca de 70%, alcançando credenciais de ferramentas de inteligência artificial, carteiras de criptomoedas e sistemas usados na integração de código por múltiplos programadores. Os pesquisadores também relataram o uso de contratos inteligentes em blockchain pelos invasores para atualizar remotamente endereços de comando e dificultar a resposta defensiva.

Ataque ao npm compromete mais de 400 pacotes e atinge mais de 2 bilhões de instalações mensais

Imagem: Divulgação

Recomendações

Diante do risco considerado crítico, as empresas de monitoramento orientaram ações imediatas: identificar e remover as versões comprometidas dos ambientes de desenvolvimento, reconstruir sistemas afetados e substituir todas as senhas e chaves de acesso possivelmente expostas. As recomendações incluem também auditoria completa dos servidores e a substituição de qualquer dado que possa ter sido visualizado pelos criminosos.





As investigações seguem em andamento enquanto as equipes de segurança recomendam atenção redobrada às dependências de projetos que utilizam o repositório npm.

Com informações de Tecmundo