O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que a balança comercial teve, em abril, o maior superávit já registrado para esse mês desde o início da série histórica. No período, as exportações excederam as importações em US$ 10,537 bilhões, montante 37,5% superior ao observado em abril de 2025 (US$ 7,664 bilhões).

As exportações somaram US$ 34,148 bilhões em abril, alta de 14,3% ante o mesmo mês do ano anterior, enquanto as importações alcançaram US$ 23,611 bilhões, aumento de 6,2%. Ambos os valores são recordes para meses de abril desde 1989.

Acumulado do ano

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a balança comercial apresenta superávit de US$ 24,782 bilhões, 43,5% acima do saldo no mesmo período de 2025. O resultado foi influenciado pela recuperação de commodities e pela ausência, em 2026, da operação registrada em fevereiro de 2025: a importação de uma plataforma de petróleo.

No quadrimestre, as exportações totalizaram US$ 116,552 bilhões (alta de 9,2%) e as importações chegaram a US$ 91,770 bilhões (alta de 2,5%). O superávit acumulado é o segundo maior da série, perdendo apenas para o primeiro quadrimestre de 2024 (US$ 26,925 bilhões).

Desempenho por setores

Em abril, as exportações por setor variaram da seguinte forma: agropecuária subiu 16,1% (volume +12,7% e preço médio +3,2%); indústria extrativa cresceu 17,9%, puxada pelo petróleo (volume +0,6% e preço médio +17,2%); e indústria de transformação avançou 11,6% (volume +6,8% e preço médio +4,1%).

Produtos que puxaram as vendas

Entre os produtos que mais contribuíram para a alta das exportações em abril destacaram-se: na agropecuária, soja (+18,8%), algodão (+43,7%) e animais vivos exceto pescados (+148,4%); na indústria extrativa, óleos brutos de petróleo (+10,6%), minério de ferro (+19,5%) e minérios de cobre (+55%); e na indústria de transformação, carne bovina (+29,4%), ouro não-monetário (+75,9%) e bombas/compressores/ventiladores (+321,5%).

Em termos absolutos, a soja foi o principal impulsionador, com acréscimo de US$ 1,105 bilhão nas exportações em relação a abril de 2025, seguida pelo petróleo bruto, com aumento de US$ 458,98 milhões. Embora o volume exportado de petróleo tenha caído 10,6%, o preço médio subiu 23,7%, reflexo da guerra no Oriente Médio. A queda de volume também foi associada à alíquota temporária de 12% do Imposto de Exportação sobre petróleo, adotada em meados de março.

Imagem: Divulgação

Por outro lado, as vendas de café recuaram: o valor exportado caiu US$ 177,44 milhões em relação a abril de 2025 (-14,2%), influenciado pela redução de 13,4% no preço médio.

Importações

O aumento nas importações em abril esteve ligado principalmente à compra de veículos, que subiu US$ 654,33 milhões na comparação anual. Entre os principais itens importados aparecem: na agropecuária, soja (+165,3%), pescados (+11,1%) e frutas não oleaginosas (+8,9%); na indústria extrativa, óleos brutos de petróleo (+26,4%) e linhita/turfa (+147,9%); e na indústria de transformação, automóveis de passageiros (+109,9%), combustíveis (+37,3%) e válvulas/tubos termiônicos (+27,3%).

Projeções

O Mdic projeta para 2026 um superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, crescimento de 5,9% sobre o resultado de 2025 (US$ 68,1 bilhões). As estimativas oficiais apontam exportações de US$ 364,2 bilhões (alta de 4,6%) e importações de US$ 280,2 bilhões (alta de 4,2%).

As projeções são atualizadas trimestralmente e novas estimativas detalhadas para 2026 serão divulgadas em julho. O maior superávit registrado permanece o de 2023, quando o saldo positivo foi de US$ 98,9 bilhões. A pesquisa Focus, do Banco Central, projeta um superávit de US$ 75 bilhões para este ano, revisão que subiu após o início do conflito no Oriente Médio.

Com informações de Portalin