Impacto do conflito no Irã deve frear atividade na zona do euro, diz BCE

O Banco Central Europeu (BCE) informou que o choque nos preços de energia decorrente da guerra no Irã deverá reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real da zona do euro em cerca de 0,4 ponto percentual ao longo do primeiro ano, com base nas cotações vigentes do petróleo e em episódios anteriores, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira.

O BCE apontou que o ataque ao Irã e o fechamento subsequente do Estreito de Ormuz elevaram os custos do combustível para os países da região, que dependem de importações energéticas. Em reação ao aumento dos preços, a autoridade monetária já revisou para baixo suas projeções de crescimento em duas ocasiões desde março e elevou as taxas de juros em sua decisão deste mês.

Para quantificar o efeito do choque, o economista do BCE Johannes Gareis examinou séries históricas de choques do petróleo desde 1985, cruzando esses eventos com indicadores como atividade econômica, consumo privado, investimento, índices de preços ao consumidor e movimentos das taxas de juros de curto e longo prazo.

Com base nessa análise e na curva atual de futuros do petróleo — assumindo que variações implícitas nos preços para 2026 se devem majoritariamente a choques geopolíticos na oferta — o BCE estimou a perda de 0,4 ponto percentual no crescimento durante o primeiro ano após o choque, segundo o boletim do banco.

O documento ressalta que, ao contrário de outros episódios passados, o efeito deve se acumular de forma gradual ao longo do ano. Essa expectativa reflete a projeção de um aumento adicional dos preços do petróleo no segundo trimestre de 2026 e a persistência indicada pela trajetória dos contratos futuros.

BCE estima redução de 0,4 ponto percentual no crescimento da zona do euro por choque de energia ligado ao Irã

Imagem: Divulgação

Nas projeções macroeconômicas mais recentes, o BCE prevê que a economia da zona do euro avance 0,8% neste ano, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028.

O boletim também registra que, desde a divulgação dessas previsões, Estados Unidos e Irã firmaram um acordo de cessar-fogo e iniciaram negociações.

Com informações de Forbes