A BHP, maior mineradora do mundo, projeta que a oferta global de potássio será insuficiente até 2035 e está em busca de acordos de fornecimento de longo prazo com compradores no Brasil. A informação foi confirmada em entrevista concedida nesta terça-feira (24) por Karina Gistelinck, diretora de potássio da empresa, que está no país para negociar contratos antes do início das operações de uma nova mina da companhia.

O projeto em questão é a mina de Jansen, localizada na província canadense de Saskatchewan, apontada pela BHP como o maior projeto greenfield de potássio do planeta. A primeira fase da operação tem previsão de início em meados de 2027, com capacidade estimada em 4,1 milhões de toneladas por ano dois anos após o arranque. Uma segunda etapa elevaria a produção para 8,5 milhões de toneladas no começo da próxima década. O custo da primeira fase já foi revisto para US$ 8,4 bilhões, acima do orçamento inicial.

Segundo a executiva, a companhia antecipa um mercado apertado, com pressão relevante no lado da oferta, o que motiva a busca por contratos que garantam compradores para sua produção futura. A BHP trata o potássio como um ativo estratégico para diversificar e ampliar receitas, na esteira do papel que o minério de ferro teve para a corporação.

Relevância para o Brasil

O Brasil responde por cerca de 20% da demanda mundial por potássio, mas produz uma parcela quase irrelevante do que consome. A dependência de importações do nutriente supera 95%, e o potássio é o fertilizante mais usado no país, representando cerca de 38% do consumo total de nutrientes. No total, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que utiliza, cenário que o Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, pretende reduzir para 45% até 2050.

O alerta da BHP chega num momento em que rotas marítimas essenciais para o comércio de fertilizantes foram afetadas pela guerra no Irã, que praticamente interrompeu a navegação pelo Estreito de Ormuz desde o fim de fevereiro. Embora grande parte do potássio que abastece o Brasil venha do Canadá, da Rússia e de Belarus e não transite diretamente pelo Ormuz em volumes expressivos, o aumento global dos preços de fertilizantes atinge todos os insumos agrícolas.

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Para os produtores brasileiros, o problema é prático: o país está no período de planejamento de safra e os fertilizantes respondem por 30% a 35% dos custos de uma plantação. Iniciativas de produção doméstica seguem em desenvolvimento, mas ainda longe de suprir a demanda. O projeto mais avançado no país, a mina de Autazes da Brazil Potash, prevê investimento de US$ 2,5 bilhões e capacidade de 2,4 milhões de toneladas por ano — volume suficiente para cobrir aproximadamente 17% da demanda atual — com início de produção estimado, na melhor hipótese, para 2030.





Enquanto isso, a BHP intensifica negociações para amarrar vendas futuras de potássio com compradores brasileiros, na tentativa de assegurar mercados para sua produção projetada e mitigar riscos de oferta global.

Com informações de Investnews