SEATTLE, 16 Abr (Reuters) – A Boeing vem recrutando entre 100 e 140 trabalhadores de fábrica por semana, ritmo recorde desde 2024, para repor aposentadorias e ampliar seu quadro diante do aumento nas taxas de produção e da introdução de novos modelos, informou um dirigente sindical.

Jon Holden, em sua primeira entrevista como vice-presidente de treinamento e aprendizagem da Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM), afirmou que os trabalhadores sindicalizados da Boeing na região do noroeste do Pacífico já superam 34.000, e que esse efetivo continua crescendo.

Em resposta por e-mail à Reuters, um porta-voz da Boeing disse: “Estamos vendo um grande interesse à medida que contratamos em Puget Sound e em toda a empresa para apoiar nossos aumentos na taxa de produção”.

Em 2024, o IAM representava cerca de 33.000 empregados da Boeing na região, quando Holden chefiou o sindicato local durante uma greve de sete semanas relacionada ao novo contrato.

A fabricante precisa ampliar pessoal para montar uma quarta linha de produção na área de Seattle — conhecida como Linha Norte — destinada ao 737 MAX, além de dar suporte à produção do jato de fuselagem larga 777X, que ainda aguarda certificação, e substituir trabalhadores que se aposentam.

Holden destacou que as contratações não se limitam aos postos na Linha Norte: “Serão — você sabe — aqueles que precisam trazer peças, logística e armazenamento. Será o ferramental, será o transporte”, disse ele.

Dados do Estado de Washington mostram que os empregos na manufatura aeroespacial caíram para cerca de 79.000 em agosto do ano passado, mas vinham subindo e alcançaram 81.800 em fevereiro, segundo o Departamento de Segurança do Emprego estadual.

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O aquecimento das contratações no setor aeroespacial é impulsionado pela demanda das companhias aéreas por aeronaves mais econômicas em combustível, pelo crescimento do mercado espacial e pelo aumento dos gastos em defesa diante de tensões geopolíticas e conflitos em curso no Oriente Médio e na Ucrânia.

Karen Arlak, diretora de recursos humanos da Honeywell Aerospace, informou que a empresa pretende incluir mais de 1.200 vagas neste ano em áreas como engenharia e fabricação, apoiada pela expansão dos mercados de pós-venda comercial, defesa e espacial.

O setor enfrenta escassez de trabalhadores qualificados desde o fim da pandemia da Covid-19, quando as operações voltaram a se intensificar. A atual demanda por mão de obra na Boeing ainda está abaixo do ritmo agressivo de contratações observado em 2023 e 2024, mas Holden descreve o movimento como “uma rampa sustentada”, condicionada à continuidade do avanço econômico e à manutenção dos pedidos pelas companhias aéreas.

Com informações de Infomoney