Andrew “Boz” Bosworth foi escolhido por Mark Zuckerberg para liderar a transição da Meta rumo a um modelo centrado em inteligência artificial, com a missão de fazer com que a companhia passe a usar agentes de IA em larga escala nas tarefas diárias. A mudança ocorre em meio a um período de tensões internas, cortes de pessoal e investimentos bilionários da empresa em tecnologias de IA.

TRANSMISSÃO: CazéTV

Nas semanas anteriores, rumores sobre uma grande rodada de demissões se intensificaram à medida que a Meta ampliava gastos em IA. A empresa informou funcionários que começaria a coletar cliques e movimentos do mouse para treinar agentes de IA capazes de operar computadores, uma medida que gerou resistência interna e levou alguns empregados a criarem uma petição para suspender a iniciativa.

Em resposta às críticas, Bosworth deixou claro que a adesão não seria opcional e orientou funcionários preocupados com privacidade a evitarem acessar e-mails pessoais em dispositivos fornecidos pela empresa. O executivo, que atua como braço-direito de Zuckerberg há mais de 20 anos, adotou posição enfática ao assumir a nova função.

Bosworth, que pode receber quase US$ 1 bilhão caso consiga elevar o valor de mercado da Meta em 500% nos próximos cinco anos, disse em memorando interno que a companhia caminha para um modelo em que agentes de IA executarão a maior parte do trabalho, enquanto humanos terão o papel de direcionar, revisar e aperfeiçoar esses agentes. Entre as propostas do executivo estão a formação de equipes volumosas com poucos gestores e a substituição de documentos de planejamento por protótipos práticos.

As declarações sobre automação levantaram dúvidas internas sobre a necessidade futura de muitos cargos. Na última quarta-feira (20), a Meta demitiu 8 mil funcionários e realocou outros 7 mil para funções relacionadas à inteligência artificial.

Trajetória e estilo de liderança

Bosworth, de 44 anos, cresceu em um rancho em Saratoga, no Vale do Silício, aprendeu programação aos 10 anos e estudou em Harvard, onde foi monitor de um curso de ciência da computação frequentado por Mark Zuckerberg. Entrou no Facebook em 2006, quando a empresa tinha menos de 100 empregados.

Ele esteve envolvido em projetos centrais da companhia, incluindo o desenvolvimento do News Feed, que gerou críticas sobre privacidade ao mesmo tempo em que aumentou o engajamento da plataforma, e a expansão da publicidade mobile, responsável por grande parte da receita publicitária da Meta.

Imagem: ALL RIGHTS RESERVED

Conhecido por um estilo provocador e memorandos internos contundentes, Bosworth também liderou a área de realidade virtual e aumentada e comandou a aposta da empresa no metaverso após a mudança de nome em 2021, projeto que não alcançou os resultados esperados e teve parte dos recursos redirecionados para IA e óculos inteligentes.

Na sua nova responsabilidade está a supervisão de uma divisão de engenharia aplicada à inteligência artificial criada para acelerar o desenvolvimento de modelos que competam com empresas como OpenAI e Anthropic.





O executivo assumiu o desafio com entusiasmo, afirmando que já se observa a redução de horas de trabalho em tarefas que passam a ser executadas em minutos por sistemas automatizados, e que em breve algumas atividades poderão prescindir da intervenção humana.

Com informações de Investnews