O governo federal estimou que serão necessários R$ 1,225 trilhão em investimentos na infraestrutura logística até 2050 para ampliar a capacidade de transporte e reduzir gargalos no escoamento de cargas, segundo o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que entra em vigor nesta quarta-feira (12).

O plano, elaborado pelo Ministério dos Transportes em conjunto com o Ministério de Portos e Aeroportos, detalha a origem dos recursos previstos: R$ 734,4 bilhões devem vir da iniciativa privada e R$ 490,5 bilhões de fontes públicas. Na prática, aproximadamente 60% do montante projetado depende de aportes do setor privado, o que coloca concessões e parcerias como instrumentos centrais da estratégia.

Movimentação de cargas

O documento aponta a composição atual da matriz de transportes como um dos principais entraves. Dados da Infra S.A. indicam que 54% da movimentação de cargas ocorre por rodovias, enquanto as ferrovias concentram 27% e o transporte aquaviário responde por 19%. O modal aéreo representa menos de 1% do total.

A proposta do PNL é reduzir essa dependência do transporte rodoviário por meio da integração entre estradas, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, possibilitando o uso de modais conforme o tipo de carga e as características regionais. O plano estabelece 31 eixos logísticos estratégicos, três corredores de manutenção e 112 objetivos prioritários.

Gargalos regionais e expansão ferroviária

O diagnóstico identifica diferentes problemas por região: saturação de rodovias em trechos curtos e médios; limitações da infraestrutura aeroportuária na macrometrópole de São Paulo; dificuldades de integração entre transporte aéreo e hidroviário; além do isolamento de comunidades na região Norte.

No setor ferroviário, o PNL aponta possibilidade de expansão da malha, que hoje tem cerca de 30 mil quilômetros. O texto também defende estímulos a concessões terrestres, aquaviárias e aeroportuárias para atender às especificidades regionais e ao aumento dos volumes transportados pela produção nacional.

Brasil precisa mobilizar R$ 1,225 trilhão até 2050 para reestruturar logística

Imagem: Divulgação

Financiamento e implementação

Com quase três de cada cinco reais demandados vindo da iniciativa privada, o plano ressalta a necessidade de projetos viáveis economicamente, segurança regulatória e previsibilidade contratual para atrair investidores. Além de orientar futuras concessões e parcerias, o PNL servirá de base para a elaboração do próximo Plano Plurianual (PPA) e para a definição das prioridades orçamentárias da União.

O documento coloca o desafio de preparar a logística brasileira para acompanhar o crescimento da produção sem transformar o transporte em um fator limitador da competitividade. A implementação das ações previstas dependerá, portanto, tanto da capacidade de execução do Estado quanto da disposição do capital privado em financiar a nova infraestrutura.

Com informações de Portalin